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Opinião
Terça - 19 de Janeiro de 2021 às 10:42
Por: Onofre Ribeiro

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Desde o começo dos incêndios no Pantanal no ano passado, venho escrevendo, visitando, conversando e levantando dados a respeito da região e da sua História. Fora o conhecimento pessoal iniciado lá em 1976, ano de grande enchente na região toda.

Recordo o sobrevôo num avião monomotor de asa alta, junto com o médico veterinário da Secretaria de Agricultura, Luis Carlos Victorino, e mais dois técnicos, avaliando o saldo da enchente. Recordo-me de ver pessoas empoleiradas nas árvores ou nos tetos das casas ilhados pela água alta. Ou de ver o gado com água no peito.

E as vacas com as tetas devoradas por piranhas. Acompanhei parte do resgate por barcos da Marinha, sediados em Ladário, vizinha a Corumbá. Os socorridos eram levados pra Fazenda São João, da polêmica construtora Camargo Correa. Vi outras fortes enchentes, como a de 1995. Uma enormidade de água porque choveu muito.

Em 2020, ápice de anos sem chuvas normais, a secura no Pantanal abriu campo pros incêndios. Mas, por detrás, tem uma série de contradições anteriores.

Em 2020, ápice de anos sem chuvas normais, a secura no Pantanal abriu campo pros incêndios

A proibição de conservação das pastagens, através de uma lei estadual que seria regulamentada por decreto posteriormente. Depois as teses acadêmicas contratadas no começo da década de 2000 pelo SESC Pantanal, um órgão público que criou no Pantanal uma área superior a 140 mil hectares de antigas fazendas compradas pra se fazer uma reserva ambiental particular.

O SESC quis legitimar a transformação de uma parte do Pantanal em área de absoluta conservação ambiental. Porém, houve muitas contradições negativas. Mas depois da crise dos incêndios surgiram vários fatos novos, assinalados abaixo:

1 - Na semana que passou o governo de Mato Grosso assinou um decreto que permite os manejos das pastagens e tudo o mais historicamente da cultura pantaneira, Enfim regulamentou aquela lei;

2 – no auge da crise, os fazendeiros decidiram agrupar forças políticas e criaram um grupo chamado Guardiães do Pantanal, como a sua voz política, econômica e representativa. Logo, não se repetiriam mais tantas contradições, porque enfrentariam o contraponto organizado da cultura social e econômica do Pantanal

3 – a crise toda serviu como lição pra organização regional, pra necessidade de novos programas de modernidade tecnológica e pra reposição ambiental da grande área mais preservada de Mato Grosso, ao contrário do que foi amplamente divulgado pela influência da oposição acadêmica;

4 – por último, o governo de Mato Grosso contratou departamento ambiental da UFMT pra fazer pesquisas no Pantanal. Certamente o espírito ideológico não mudou. Mas haverá a oposição dos Guardiães do Pantanal, caso as pesquisas saiam da rota científica e mirem em rota política.

A conclusão é de que o mal está virando uma oportunidade pro Pantanal se reposicionar dentro do espaço que construiu ao longo de mais de 300 anos de História.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.



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