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Opinião
Terça - 26 de Outubro de 2021 às 06:36
Por: João Edisom de Souza

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As pessoas comentam sobre política e políticos comigo o tempo todo. Por querer entender alguma coisa ou, na maioria das vezes simplesmente para emitirem opiniões sobre fatos e acontecimentos para ver se concordo ou não.

Acontece que dentro da pandemia sobra tempo para reflexões mais profundas sobre o que se ouve principalmente quando é desabafo ou expressões de raiva, somado ao fato que o próprio presidente da República em exercício tem potencializado os ataques àqueles que exerceram ou exercem cargo público e hoje não comungam da idolatria do poder populista cristalizado na verborragia cotidiana do insano exercício de criar factoides para esconder a realidade vigente.

Nos debates de bar, de família ou desabafos corriqueiros, temos ouvido manifestações com duras palavras e o ódio contra tudo e contra todos os políticos, sem critério de análise e sem base comparativa, fundamentado apenas em suspeitas de whatsapp.

Isso me levou a pensar se esses acusadores dos mal feitos dos outros aguentariam dez minutos de auditoria em suas vidas, mesmo nunca tendo ocupado cargo público.


Nos debates de bar, temos ouvido duras palavras contra todos os políticos

A conclusão é que a grande maioria não precisava de cinco minutos; muitos não aguentariam uma gloogada sequer.

E neste momento se colocam com sendo os bastiões da honra e da sensatez com a coisa pública. Por que isso?

Primeiro que não podemos desconsiderar que somos todos seres políticos. Todas as nossas ações são políticas. Ser e agir politicamente não se restringe ao voto ou a participar de estruturas partidárias e governamentais. Precisamos recorrer as ciências do comportamento para entender este ódio aos iguais (gente corrupta criticando político corrupto).

Ao criticar e acusar os políticos, o brasileiro (orgulhoso do seu jeitinho costumeiro) em geral faz uma transferência de suas próprias culpas e erros cotidianos. Com isto se sente menos criminoso e menos vulgar perante o próprio espelho.

Afinal, os políticos, por serem pessoas conhecidas de todos e que para não perderem a simpatia também não se defendem publicamente nem das mentiras que lhes são imputadas, podem, em nome dos demais erros, absolverem a culpa inclusive de seus acusadores. Uma espécie de perdão coletivo dos nossos pecados do dia a dia.

Político de carreira erra, comete crimes e abusos, mas proporcionalmente aos atos sociais. Afinal, é lá no seio da sociedade, com seus familiares, amigos e admiradores que ele formou seu caráter. O político representante é o espelho de nossa face desejada.

Sim, estamos falando de uma sociedade que desejaria serem os Calheiros, os Azizes, as Dilmas, os Lulas, os Aécios, os Jeffersons, os Dirceus, os Temers, os Dorias, os Pallocis, os Flavios/Eduardos/Carlos, os Randolfes, os Cunhas... Embora a estes emanem todo seu ódio. Todos os odiados e também os não citados aqui têm seguidores apaixonados por eles.

Até porque não há diferença entre o ódio e o amor, só uma questão de forma de manifestação; um por admiração ao outro ou por desejo enrustido ou inveja.

O ódio ao outro não deixa de ser o desejo de incorporação das benesses de outrem a si mesmo. Parte significativa da sociedade brasileira está doente politicamente porque não suporta conviver com sua própria imagem refletida nos podres constituídos do país.

Um Brasil melhor se faz com brasileiros melhores, políticos são consequências e não causas. E isso se constrói fora da idolatria, fora do ódio, fora das Fake News.

Se constrói com mais empatia e menos intolerância, mais engajamento e menos exclusão, mais trabalho e menos boçalidade. Afinal onde está o mau político? No exercício cotidiano da cidadania ou somente nos eleito?

João Edisom é analista politico.



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