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Opinião
Segunda - 06 de Dezembro de 2021 às 07:35
Por: Rosana Leite Antunes de Barros

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“Porque há direito ao grito. Então eu grito”. A frase de Clarice Lispector muito bem define as mulheres da atualidade. Nascida em 10 de dezembro do ano de 1920, essa ucraniana que se definia muito mais brasileira, marcou época e a história das mulheres.

Foi intitulada “a maior escritora judia desde Franz Kafka”, e, autora de vários romances, poemas, contos e ensaios, sendo considerada uma das mais importantes do século XX. Fazia questão de retratar cenas simples do cotidiano, tendo como característica de escrever a epifania. O diário, o habitual a atraia, mesmo porque, queria tocar as pessoas com as palavras.

Clarice possuía nacionalidade russa, tendo vindo para o Brasil como fuga do país em razão do antissemitismo, pela Guerra Civil. Quando veio para o país que dizia ser realmente a sua pátria, era um bebê de apenas 2 anos. Por aqui perdeu a sua genitora quando tinha 8 anos, sendo criada e educada pelo pai, um mascate. Cursou direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro, mesmo tendo muito mais afinidade com as artes literárias.

A sua representatividade para os direitos humanos das mulheres foi real, mesmo sem que tivesse conhecimento

Tornou-se uma das figuras mais importantes na Literatura brasileira e do Modernismo, influenciando muitos escritores e escritoras. Com 10 anos de idade escreveu a sua primeira peça teatral denominada “Pobre menina rica”, com três atos, mas que infelizmente teve as folhas perdidas. Compôs, adolescente, a primeira peça para piano, em homenagem à falecida mãe.

Apesar de não ter se declarado feminista, sem dúvida contribuiu, e muito para que a igualdade de gênero se fizesse presente na literatura. O feminismo estava a eclodir nos anos 40 e 50, quando estava no auge de sua produção. Todavia, não sabia da importância de se declarar em prol do feminismo à época. Revolucionou, sem ser militante feminista. Mostrou em suas criações, inclusive, que as mulheres ficam sufocadas dentro de relações tóxicas, em casamentos onde o machismo impera.

Considerada uma pessoa intensa, disparou: “Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever.” Essa é uma verdadeira lição aos tempos atuais, em que a resistência deve ser premissa máxima, principalmente para as mulheres.

Lispector escrevia ecleticamente, se dedicando, ainda, para as crianças. E mesmo assim, não foi lúdica, tratando da realidade e não as infantilizando, como deve ser.

Entendia que o respeito deveria estar em qualquer lugar. Nasceu em dia importante mundialmente: “Dia Internacional dos Direitos Humanos”. A sua representatividade para os direitos humanos das mulheres foi real, mesmo sem que tivesse conhecimento. É dela: “Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome.”

ROSANA LEITE ANTUNES DE BARROS é defensora pública estadual.



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