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Opinião
Sexta - 01 de Julho de 2022 às 14:07
Por: José Pedro Rodrigues Gonçalves

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Há uma lamúria no ar. Mais do que isso, um lamento tormentoso, que traz sofrimentos incontidos, doloridos, quase permanentes. São crianças doentes, mulheres impacientes de tanta espera por dias melhores.

Entretanto, são piores a cada dia que passa, há um aumento da desgraça que consome as esperanças que ainda restam.

Crianças esfaimadas, abandonadas, adoentadas a espera de um auxílio de quem só existe para isso. Dar abrigo, um cuidado necessário, pois esse é o fadário das instituições criadas pela sociedade. Mas, a saciedade permanece apenas de um lado.

Saciam suas sedes de poder, suas fomes de enriquecer, suas ganâncias de ter, ter vida fácil, ter contas recheadas, ter garantia de permanência no lugar que ocupam quase eternamente.

Discursam, profetizam tantas coisas para o povo, mas, de novo, continuam na mesmice sempiterna. Ensimesmados, amealham seus tesouros sugando em despudor o que é de todos, mas apenas poucos prosseguem em seus desfrutes. Eis uma rima imperdível, indizível e necessária, como abutres arrancam partes dos famintos a quem acenam com fartura imaginária.

Eis uma escatológica cena antológica de um filme real, filme nacional, sem dublagem e com coragem de dizer o que se vê e se percebe, algo que nenhum ficcionista concebe sem sentir no peito um aperto que constringe e que constrange.

Está na mídia, em cada cinco pessoas, uma não consegue matar a fome cotidiana e por semanas a fio, sentem um frio no estômago, no âmago da alma, sem reclamar. Eis os heróis de verdade, não aqueles que ganham sem trabalhar a espalhar maledicências sem clemências de quem sofre seus ataques, seus achaques de anêmica moral quase epidêmica e que se expande a cada dia mais como uma pandemia de imorais.

Há uma nova estética, uma ética despudorada, uma enxurrada de maldades graciosas, desonrosas, abastecidas por ondas de uma intensa covardia a imolar reputações a bombordo e a boreste, como se tomados por uma peste sem vacina.

É a fome, o sofrimento continua, e novas levas de famílias pelas ruas em busca de um abrigo contra o frio e contra chuva. Perambulam sem destino e também sem esperanças, carregando seus andrajos e também suas crianças macilentas pela fome, são quase cadáveres que recebem outro nome. E dessa forma, esse drama continua, não são cidadãos, são pessoas em situação de rua à espera de uma esperança de um bom coração que lhe traga uma boa e quente refeição.

Enquanto isso...

Lá pelas bandas do Congresso... confesso que jamais me resignarei pela existência de uma Casa de Lei que legisla quase sempre em causa própria, criando subterfúgios e refúgios para esconder o dinheiro de uma emenda tão despudorada que daria para alimentar toda essa população abandonada.

Sentem-se senhores do melhor juízo, pois, desajuizados, são desprovidos de qualquer tipo de emoção, são como pedaços de gelo em forma de um coração para enganar, não só seus eleitores, mas todo cidadão.

Há que se perguntar e refletir, o que fizeram desta Pátria, minha gente? Antes era um País decente, que orgulhava toda sua gente. E veio, então, a pandemia! Mas que beleza, agora, com certeza, melhor desculpa nunca haveria. E os problemas todos foram resolvidos, excluímos nossas culpas e encontramos a culpada ideal, ninguém reclamará e não há quem prove que a culpada não seja a Covid 19.

Não é só isso! Há muito e muito mais. Faltam remédios aos pobres deste terra, agora em meio a uma guerra, já que o remédio brasileiro vem da China e as coisas, por lá, não andam bem e, então, por isso o remédio não vem. E a pobreza, com certeza, do remédio, fica sem.

E lá na minha terra, não tem guerra de metralha, mas, por lá, essa batalha é uma luta desigual. Aqueles que existem para nos defender e garantir uma vida ideal, desembainham suas espadas para assassinar o Pantanal. O PL nº 561/2022 foi apensado, no dia 14 deste mês, ao PL nº 03/2022, que também pretende alterar trechos da Lei do Pantanal.

Não me venham com argumentos insidiosos, perigosos e sub-reptícios, pois sabemos desde cedo que isso só trará mais problemas ao Bioma. Há uma Lei Federal que trata de áreas de preservação permanente, mas agora, por interesses subjacentes os profetas da verdade querem transformar um paraíso em lugar de criação.

Assim, sempre começam as hecatombes, os sonhos de um progresso no avesso do possível. Por trás, há sempre um invisível interesse nebuloso, onde alguns auferem lucros impensáveis, enquanto à fauna e a flora restarão o sofrimento a custas de venenos das pastagens, além da provável desertificação.

Depois virão o fogo e o desespero das queimadas a matar milhões de vidas e destroçar a homeostasia essencial, após a aprovação de um Projeto tão suicida, parido de mentes descomprometidas com a vida no Planeta Pantanal.

Por favor, Senhores Deputados, abram seus olhos, em especial as suas mentes para que as sementes continuem a germinar no Pantanal e que as aves colorindo nosso espaço, haverão de se unirem em um imenso abraço, para os saudar em louvor e gratidão. Para isso, cancelem essa tal propositura, que mais parece o abrir de sepulturas para as vidas pantaneiras e o nosso Pantanal.

Já temos problemas em demasia, chega de ampliar nossa agonia e nos colocar em risco permanente, adotem um gesto penitente e, ao menos, nos conceda uma esperança, mesmo que pequena, mas que seja uma criança que crescerá em uma vida plena.

Sejam um pouquinho piedosos e não construam tantos gestos odiosos à guisa de trazer vida melhor. Que vida é essa, construída em tanta pressa, sem discutir, muito menos conversar e ouvir aqueles que conhecem em profundidade a verdadeira realidade do espaço pantaneiro.

Por fim, um pedido derradeiro, um pouco de humildade faz um bem, bem de verdade, que a humanidade inteira os agradecerão por ter colocado, acima da intenção, o bem maior que é garantir uma terra bem florida, uma vida cantante e colorida, uma espaço preservado ao natural, onde a vida deslumbrante, ainda hoje e de agora em diante, permanecerá no Planeta Pantanal.

José Pedro Rodrigues Gonçalves é doutor em Ciências Humanas.



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