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Ciência/Pesquisa
Domingo - 21 de Março de 2010 às 17:26

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NASA/JPL/Space Science Institute
Os anéis são compostos principalmente por gelo e por um material vermelho e ainda misterioso
Os anéis são compostos principalmente por gelo e por um material vermelho e ainda misterioso

 

Quem vê Saturno nas imagens que recebemos aqui na Terra pode pensar que reina a plena calmaria em seus anéis. A verdade é que o que rola ali é uma disputa que envolve colisões, lançamento de pedaços de gelo e até um "cabo de guerra" com as luas do planeta. Essas observações só foram possíveis graças ao trabalho da sonda Cassini, que desde 2004 faz voos em torno do planeta e permitiu um olhar único sobre o local. As imagens mostram que os anéis mudam de estrutura em uma escala de tempo insignificante para a astronomia: anos, meses ou até dias.

Dois estudos publicados na revista científica Science fazem um resumo sobre quão importantes são os dados obtidos pelo equipamento durante esse tempo. Um dos textos, assinado por Jeff Cuzzi, pesquisador do centro de pesquisa Ames, da Nasa (agência espacial dos EUA), diz que as colisões são comuns nos anéis de Saturno e que pedaços de gelo deixam uma trilha de escombros por onde passam. Além disso, pequenas luas do planeta fazem uma espécie de "cabo de guerra" para ficar com o material que é expelido pelos anéis.Pedregulhos que deveriam se unir para formar novas luas são jogados para longe pela força gravitacional de Saturno.

Cuzzi diz também que os anéis do planeta são compostos principalmente por gelo e por um material vermelho e ainda misterioso que pode ser poeira ou pequenas moléculas orgânicas encontradas nos vegetais vermelhos que temos na Terra.

- Tem sido maravilhoso ver os anéis ganharem vida diante de nossos olhos, mudando de estrutura enquanto nós assistimos a tudo em cores e em 3D, o que torna tudo muito mais real. A Cassini tem respondido a perguntas que nós não éramos nem capazes de fazer quando a missão foi planejada. Ainda temos muitas questões a responder.

A sonda também permitiu descobertas sobre as luas de Saturno. Em fevereiro, por exemplo, a Nasa anunciou evidências de que existe água em estado líquido na superfície de Enceladus, uma lua de Saturno. A revelação é mais uma importante pista para provar a existência de vida no local. A sonda Cassini vasculhou camadas de gelo e detectou moléculas de água com carga negativa, o que é um forte indício de que há um mar subterrâneo, pois na Terra são encontradas moléculas de água carregadas negativamente em ondas e cachoeiras. 
 

No fim do ano passado, Astrônomos alemães descobriram na lua Titã um gigantesco mar, com até 400 mil quilômetros quadrados. Batizado como Krake Mare, o mar não é composto de água, mas de metano líquido ou de outro tipo de hidrocarboneto. Um aparelho da Cassini permitiu ver um brilho similar ao reflexo do Sol sobre o mar – os cientistas alemães dizem que na natureza só uma superfície líquida pode brilhar assim.

No começo do ano, a Nasa resolveu estender a missão da Cassini. O equipamento, que foi lançado em outubro de 1997 e chegou ao planeta em julho de 2004, iria parar de operar em setembro deste ano, mas ganhou sobrevida até 2017. Pesquisadores dizem que o fato de a Cassini cumprir sua missão por mais tempo vai permitir analisar as mudanças que ocorrem no planeta desde o inverno até o seu verão. Nunca Saturno foi analisado com tantos detalhes.

O projeto é tocado em parceria entre a agência espacial dos EUA, a ESA (Agência Espacial Europeia) e a Agência Espacial Italiana.




Fonte: Do R7

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