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Cidades/Geral
Quarta - 03 de Março de 2021 às 16:51
Por: Lislaine dos Anjos/Mídia News

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O delegado Flávio Stringueta: acusações ao MPE e afastamento do cargo
O delegado Flávio Stringueta: acusações ao MPE e afastamento do cargo

A Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol) emitiu nota de repúdio ao afastamento do delegado Flávio Stringueta do comando da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) da Polícia Civil, após publicar artigo em que faz críticas ao Ministério Público Estadual (MPE).

Para a Adepol, Stringueta perdeu o cargo e sofre perseguição porque “ousou pensar diferente” e “formou um juízo de valor crítico a respeito de compra e aquisição imoral de supérfluos” pelo MPE em um período de “miséria e severa crise social e econômica no país”.

“O delegado de Polícia retrocitado sofre vergonhoso achincalhamento, próprio de uma visão nobiliárquica de mundo que tragicamente eterniza nosso atraso e subdesenvolvimento crônico”, criticou a entidade.

A Adepol ainda cobra da direção da Polícia Civil uma postura “isenta, equilibrada e de defesa” do delegado e afirma que caberia a Stringueta ser interpelado, não retirado do cargo que ocupava.

Perseguir sorrateiramente um profissional e arrancá-lo de seu cargo por pensar diferente, é algo intolerável e inadmissível a uma sociedade democrática

“A pior mordaça é aquela que se disfarça. [...] Perseguir sorrateiramente um profissional e arrancá-lo de seu cargo por pensar diferente é algo intolerável e inadmissível a uma sociedade democrática”, diz trecho da nota.

Entenda

No artigo publicado na última segunda-feira (1º), Stringueta questiona os “privilégios” recebidos pelos membros do MPE, como auxílios para moradia e compra de livros, e o processo de compra de R$ 2,2 milhões em smartphones aos membros da instituição.

Anos atrás, ele também criticou o MPE em artigo e chegou a ser interpelado. Na publicação atual, ele faz referência à medida sofrida na época.

“Fui interpelado judicialmente para me explicar. Nada aconteceu. Eu desafio o MPE-MT a abrir suas contas nos últimos 20 anos para provar que eu estou errado. Não acredito que farão. Falo para vocês: o MPE-MT não está comprometido com a ética e a moralidade quando o assunto é o seu benefício”, criticou.

Horas após a publicação, ele foi exonerado da chefia do GCCO e o seu novo posto ainda não foi divulgado pela Polícia Civil.

Leia abaixo a íntegra da nota da Adepol:

“A Adepol do Brasil manifesta ser lastimável percebermos que, em pleno século XXI, uma autoridade policial reconhecida e respeitada por toda a sociedade mato-grossense pelos trabalhos que prestou no decorrer de sua jornada, seja perseguida e perca o cargo porque ousou pensar diferente.

Ou seja: exonerado da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) porque emitiu uma opinião pessoal , formou um juízo de valor crítico a respeito de compra e aquisição imoral de supérfluos pelo Ministério Público de Mato Grosso em contexto de miséria e severa crise social e econômica no país. O Delegado de Polícia retro citado sofre vergonhoso achincalhamento, próprio de uma visão nobiliárquica de mundo que tragicamente eterniza nosso atraso e subdesenvolvimento crônico.

A pior mordaça é aquela que se disfarça .Certo ou errado em suas palavras, caberia a ele ser interpelado por quem de direito, se fosse o caso. Perseguir sorrateiramente um profissional e arrancá-lo de seu cargo por pensar diferente, é algo intolerável e inadmissível a uma sociedade democrática.

A Adepol do Brasil manifesta total indignação no caso, instando a Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso a ter uma postura isenta, equilibrada e de defesa do Estado de Direito no caso do Delegado de Polícia em questão. Nada pior que uma declarada autofagia”.





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