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Meio Ambiente
Segunda - 24 de Março de 2008 às 06:50

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Em mais uma iniciativa de tentar esclarecer "a verdade sobre a saúde da floresta amazônica, a revista VEJA que chegou neste domingo às bancas de Mato Grosso joga mais lenha na fogueira das discussões a respeito do desmatamento e, em seis capítulos, bate na mesma tecla de que a omissão governamental é a grande vilã da degredação da floresta, somada à ganância dos madeireiros, aos interesses dos pecuaristas e agricultores.

E mais uma vez, como não poderia deixar de ser, a revista confirma que Mato Grosso é o Estado que mais desmatou e, como contrapartida, entra o notável vigor e desempenho do agronegócio no Estado, que é altamente profissional, mas também marcado pelo desmate desenfreado. Apesar de inserir a contestação do governador Blairo Maggi com relação aos números do Inpe, VEJA diz que o argumento do chefe do Executivo mato-grossense não ofusca uma verdade irrefutável: o desmatamento da porção mato-grossense já extrapolou todos os limites.

Nas duas últimas décadas, segundo consta da reportagem da revista, 129 mil quilômetro quadrados da floresta, o que representa mais de um terço da devastação total ocorrido no período, desapareceram naquela região. E cerca de 40% da cobertura florestal do Estado já foi eliminada, o dobro do índice global de desmatamento da Amazônia.

Na matéria "A Floresta Vira Soja", os repórteres da semanária revela, todavia, que o desmatamento começou na década de 1970 por cinco grandes empresas privadas - colonizadoras. Aponta ainda que todas as cidades de Mato Grosso que surgiram da exploração da soja no Norte e no Médio Norte têm o dez maiores municípios com maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da Amazônia.

Ou seja: pela primeira vez um veículo de comunicação mostra as duas faces da moeda do desmate e revela que, apesar da vigilância ser considerada nota 10, a fiscalização é nota zero, fato que também confirma as contradições de informações números.

O governador Blairo Maggi, para o Olhar Direto, disse que apenas 10,6% das informações do Inpe estão certas e o restante está errado. Vai tentar provar isso para o governo federal na próxima semana. Maggi diz ter um estudo da Secretaria de Meio Ambiente muito mais preciso e real do que o levatamento do Inpe e promete entregá-lo à ministro Marina Silva (Meio Ambiente).

Nos tópicos de desmistificação, Veja começa respondendo a indagação "por que preservar a amazônia" e diz que o senso comum é que a Floresta Amazônica é o pulmão do planeta e sem ela o aquecimento teria aceleração fantástica. A "verdade", o contraponto, revela que o efeito mais visível seria o desequilíbrio das chuvas no mundo.

No segundo e mais importante tópico, a revista trata sobre o grau de desmatamento e revela que o governo tem garantias de que o desmatamento está sob controle. Desmentido essa tese, os jornalistas revelam que o desmate aumentou seu ritmo em 30% nos últimos meses. Confrontar os números do Inpe com os da Sema será, portanto crucial para dirimir quaisquer dúvidas sobre a real extensão da degradação.

Em relação ao terceiro ponto, sobre o boi a soja e a madeira, o senso comum é que não faz sentido derrubar a floresta a substitui-la por pastos e lavoura. A verdade é que, em certas regiões da amazônia, a agricultura é irreversível. A luz no fim do túnel mostrada pela reportagem é que existem bons planos para aliar a exploração econômica à preservação.





Fonte: Olhar Direto

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