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Internacional
Domingo - 16 de Setembro de 2007 às 19:12

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Washington, 16 set (EFE).- Analistas prevêem que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) vai baixar as taxas de juros dos Estados Unidos na terça-feira, mas pela primeira vez em anos não há consenso sobre de quanto será o corte.

Nem o preço do petróleo atingindo recorde e o alto preço dos alimentos serão suficientes para convencer o Fed a não alterar os juros, como fazia desde agosto do ano passado, segundo analistas.

Wall Street aposta que a economia receberá o primeiro relaxamento monetário desde junho de 2003. No entanto, não há consenso sobre a redução de juros, que pode ser de 0,25% ou de 0,5%.

A queda aliviará um pouco os agentes imobiliários, com a diminuição dos juros das hipotecas, num momento em que o setor passa por uma grave crise, com quedas de preços em muitas cidades.

Além disso, a decisão do Fed será traduzida em reduções de custos de outros juros de empréstimo para empresas e pessoas, além da diminuição das taxas de cartões de crédito.

A dúvida dos analistas é de quanto será a redução.

Há uma semana, os mercados de futuros calculavam que o Comitê de Mercado Aberto - que fixa a política monetária nos EUA - tinha 76% de possibilidade de corte de 0,5% na taxa básica de juros, deixando-a em 4,75%.

No entanto, as apostas estão reduzidas a 58% no momento. Caso o Fed estabeleça um corte de 0,5%, os indicadores de Wall Street provavelmente responderão com alta na terça-feira, segundo alguns analistas.

No entanto, essa alta pode ser temporária, pois os investidores entendem que a intervenção do banco central ocorre porque há dúvidas sobre o andamento da economia americana.

A incerteza em torno do Fed é incomum, já que o Comitê e o presidente do banco, Ben Bernanke, costumam dar pistas ao mercado sobre qual será o caminho da política monetária.

No entanto, a última reunião do Comitê ocorreu no dia 7 de agosto e desde a data muita coisa aconteceu.



Nessa mesma semana, as bolsas sofreram profundas quedas, diante do temor de que a crise no setor imobiliário levasse a uma redução do crédito em geral e colocasse os bancos em perigo.

Não são apenas os investidores que sofrem, mas também a economia real. Números recentes divulgados afirmam que a economia americana passa por um período mais fraco que o previsto. Isso levou alguns analistas a voltar a falar de uma possível recessão.

O dado mais preocupante foi o aumento de pessoas desempregadas em agosto: 4 mil a mais. Os analistas, pelo contrário, esperavam a criação de 100 mil novos postos de trabalho.

Na sexta-feira foi divulgado que as vendas de varejo caíram 0,4% no mês passado, sem contar as de automóveis, que cresceram graças a ofertas especiais de meio do ano.

"Este é outro dado que pressiona o Federal Reserve para reduzir as taxas em meio ponto percentual", disse o analista Rob Carnell, do banco de investimento ING, em nota enviada aos clientes.

Nigel Gault, da empresa de consultoria Global Insight, acha que após um intenso debate, o Fed irá reduzir a taxa em 0,25% e deixará uma segunda redução de mesmo valor para a reunião de 31 de outubro.

Diane Swonk, da empresa Mesirow Financial, concorda com Gault. No entanto, ela acha que Bernanke - pesquisador especializado na Grande Depressão de 1929 - se arriscaria em diminuir demais o valor do dinheiro, em vez de ficar parado diante de uma possível recessão.

"Este é o mesmo homem que em 2003 disse aos mercados que deixaria cair dinheiro de helicópteros, se fosse necessário, para prevenir a deflação", lembrou Swonk.




Fonte: EFE

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