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Nacional
Quinta - 05 de Outubro de 2006 às 08:47

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O IML (Instituto de Medicina Legal) prossegue nesta quinta-feira com os trabalhos para identificar os corpos das vítimas do acidente com o Boeing da Gol que caiu no dia 29 do mês passado em uma área de mato fechado em Mato Grosso. Os 155 ocupantes do avião morreram.

Na terça-feira, o IML recebeu os primeiros corpos --que haviam sido resgatados no domingo (1º). Os legistas confrontaram as digitais das vítimas --um homem e uma mulher-- com os 75 conjuntos de digitais que estão à disposição da Polícia Civil do Distrito Federal, mas o resultado foi negativo.

Outros 16 restos mortais recolhidos pelos militares da FAB (Força Aérea Brasileira) na mata ao longo dos últimos dias chegaram na noite de ontem ao IML e deverão ser periciados a partir de hoje.

Os dois corpos analisados estavam com vários ossos quebrados e sem condições de reconhecimento pessoal. Ao analisar os traumas internos nos corpos, os peritos tentarão estabelecer em que momento do acidente ocorreram as mortes.

Identificação

No estacionamento do IML de Brasília foi montada uma operação de emergência para receber os corpos das vítimas e fazer os exames de identificação e de necropsia. Três barracas das Forças Armadas usadas em situações de guerra serão utilizadas para a realização de até sete necropsias simultâneas.

Para saber quem são as vítimas, caso elas não sejam identificadas pelos confrontos de impressões digitais, será a realização de uma análise antropológica de cada uma. Esse confronto será feito com base em informações biométricas e físicas passadas pelos parentes dos 155 mortos.

A última opção na tentativa de identificar as pessoas será fazer exame de DNA que, em média, demora até cinco dias.

Até o final da tarde de hoje, o IML espera receber os 80 conjuntos datiloscópicos de outras nove secretarias de Segurança Pública dos Estados onde várias das vítimas tiraram seus documentos de identidade.

Acidente

O Boeing 737/800 da Gol realizava o vôo 1907, entre Manaus e o Rio, com escala em Brasília. A aeronave caiu depois de ser atingida por um Legacy, de fabricação da Embraer, que ia de São José dos Campos (91 km a nordeste de São Paulo) para os Estados Unidos com escala em Manaus.

As 155 pessoas --149 passageiros e seis tripulantes-- que estavam no Boeing morreram. O Legacy era ocupado pelo piloto e co-piloto --americanos--, dois funcionários da empresa que havia comprado o avião e um repórter do "NY Times", além de dois funcionários da Embraer. Todos sobreviveram sem ferimentos.

A Aeronáutica informou na quarta-feira (4) que 20 militares do Centro de Instrução de Guerra na Selva, do Exército, serão enviados para auxiliar os trabalhos de resgate dos corpos. A presença dos militares do Exército havia sido reivindicada pela Comissão de Familiares dos Passageiros do Vôo 1907 à FAB, que coordena a operação.

Inquérito

A PF (Polícia Federal) abriu um inquérito para investigar as responsabilidades no acidente que envolveu o Legacy e o Boeing da Gol. Por meio de sua assessoria de imprensa, a PF informou que já recebeu os documentos recolhidos em investigação iniciada pela Polícia Civil. Eles serão analisados pelo delegado Renato Sayão e, de acordo com a Polícia Federal, as responsabilidades pelo acidente deverão ser apontadas apenas depois do resultado das caixas pretas.

O piloto do Legacy, Joseph Lepore, e o co-piloto, Jan Paul Paladino, estão impedidos de deixar o país desde a segunda-feira (2), quando tiveram os passaportes apreendidos.

O superintendente substituto da PF em Mato Grosso, Geraldo Pereira, afirmou que a investigação atende a pedido do procurador da República em Cuiabá, Thiago Lemos de Andrade. Conforme Pereira, a PF vai apurar se o piloto do jatinho pode ser responsabilizado por homicídio culposo (sem intenção), caso não tenha "tomado cuidados necessários para evitar o acidente".

A reportagem apurou que a aeronave não estava na altitude prevista no plano de vôo registrado --deveria estar a 36 mil pés de altura, mas estava a 37 mil. Em depoimento à Polícia Civil de Cuiabá, no sábado, o piloto Joseph Lepore não informou que isso havia ocorrido. A PF incluiu os nomes de Lepore e Paladino no Sinpi (Sistema Nacional de Procurados e Impedidos). Assim, eles não podem deixar o país até segunda ordem.

Reportagem publicada na terça-feira mostra que o maior acidente aéreo da história do país resultou de uma combinação de erros no controle aéreo em Brasília, ineficiência na cobertura de rádio no Centro-Oeste e dúvidas sobre procedimentos do piloto e equipamentos em pelo menos um dos aviões envolvidos no choque que matou 155 pessoas.

A Aeronáutica afirmou nesta quarta que ainda não é possível apontar responsáveis pelo acidente. "Seria prematuro atribuir poss





Fonte: Folha de S. Paulo

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