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Internacional
Segunda - 14 de Março de 2005 às 19:44

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O ano de 2004 foi o mais letal para o jornalismo na última década, com o assassinato de 56 repórteres no mundo, oito deles na América Latina, informou nesta segunda-feira o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

A Colômbia costuma liderar a lista com o maior número de mortos na região, mas pela primeira vez em mais de dez anos em 2004 nenhum jornalista perdeu a vida no país por buscar a verdade.

No entanto, isto não reflete uma melhora na liberdade de imprensa, mas "a cultura da autocensura", especialmente no interior colombiano, segundo o relatório anual da organização, apresentado nesta segunda-feira em Washington.

Além da Colômbia, os pontos de maior perigo para os jornalistas no continente são a fronteira entre os Estados Unidos e o México e o interior do Brasil, onde o Estado é muito pouco presente, disse Carlos Lauría, o responsável pela América Latina no CPJ.

Nessas áreas, os repórteres são alvos fáceis para organizações criminosas, traficantes de drogas e políticos corruptos, de acordo com o relatório.

Um deles foi Francisco Ortiz Franco, editor do semanário "Zeta", de Tijuana, assassinado na frente de seus filhos em plena luz do dia no dia 22 de junho, supostamente por escrever artigos sobre o cartel de narcotraficantes da família Arellano Félix.

No México morreram dois jornalistas ao todo em 2004 por informar sobre assuntos que alguém não queria que fossem descobertos, mesmo número que na Nicarágua, enquanto pelo menos um perdeu a vida pelo mesmo motivo no Brasil, na República Dominicana, no Haiti e no Peru, segundo o CPJ.

O fenômeno contrário à fraqueza do Estado, ou seja, sua força excessiva, também restringe a liberdade de informação, segundo o relatório.

Assim, em Cuba 23 jornalistas estavam atrás das grades no final de 2004 por realizar seu trabalho, segundo maior número no mundo, depois apenas dos 42 detidos na China.

"As autoridades cubanas continuam sua perseguição sistemática de jornalistas e de suas famílias", denunciou Lauría.

Mas também houve boas notícias para a América Latina em 2004. O CPJ comemorou a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos de anular a condenação por difamação contra o jornalista costarriquenho Mauricio Herrera Ulloa.

Para Lauría, este é um "precedente importante", que tornará mais difícil que outros países processem jornalistas por difamação, desacato e outros delitos com base em leis penais chamadas pelos opositores de "da mordaça", por limitar a liberdade de expressão.

No mundo todo, 56 repórteres foram assassinados em 2004, um número alimentado pelas mortes no Iraque, que transformaram o ano no pior desde 1994, quando o CPJ começou a compilar suas estatísticas e durante o qual perderam a vida 66 jornalistas.

"Em 2004, o Iraque foi o pior lugar para ser jornalista, quer dizer, se é possível ser jornalista" no país, pois até sair do hotel é difícil por causa da violência, disse Ann Cooper, diretora-executiva do CPJ.

No total, 23 repórteres e 16 pessoas de apoio, como tradutores e motoristas, perderam a vida no Iraque no ano passado.

Além disso, os seqüestros de profissionais alcançaram "proporções de epidemia" no país árabe: 22 foram capturados e um assassinado pelos seqüestradores, segundo o relatório.

Embora a maioria dos mortos tenha sido vítima dos insurgentes, nove jornalistas e duas pessoas de apoio foram vitimados por disparos de tropas americanas desde o início da invasão, em março de 2003, disse Joel Campagna, responsável do Oriente Médio no CPJ.

Campagna disse que não há indícios de que as forças dos EUA tenham atacado repórteres deliberadamente.

No entanto, as tropas americanas "foram negligentes ao não levar em conta a presença de jornalistas e não investigar de forma adequada os casos e tomar as medidas necessárias para diminuir os riscos", afirmou.




Fonte: EFE

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