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Meio Ambiente
Quarta - 10 de Março de 2021 às 08:25
Por: Eduardo Gomes/Diário de Cuiabá

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O levantamento foi realizado a partir de dados sobre o rebanho bovino e o número de focos de calor em 2018
O levantamento foi realizado a partir de dados sobre o rebanho bovino e o número de focos de calor em 2018

Depois que incêndios consumirem 30% dos 6 milhões de hectares do Pantanal que ficam em Mato Grosso em 2020, o Governo do Estado atendeu a um apelo antigo dos pecuaristas e publicou um decreto para permitir a limpeza e o manejo das pastagens no bioma, com a retirada de plantas invasoras.

O objetivo é eliminar parte da biomassa exótica, combustível para o fogo em períodos secos, e evitar que o cenário de destruição se repita.

O próximo passo será o aval para a substituição de gramíneas nativas em alguns casos.

A primeira autorização foi concedida em fevereiro pela Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) a um pecuarista de Poconé, município mais afetado pelas queimadas.

Mais de 40 pedidos já haviam sido feitos até o fim do mês passado.

A secretária Mauren Lazzaretti diz que a norma traz critérios técnicos para a retirada de espécies invasoras conhecidas e identificadas pela Embrapa, e que o manejo vai melhorar as condições do pasto natural sem causar desmatamento.

“Vai melhorar a oferta de biomassa e possibilitar que a espécie nativa volte a nascer”, disse ela.

A secretária enfatizou que o uso do fogo não será autorizado para fazer a limpeza das áreas, apenas para eliminação do material após o manejo.

“O uso do fogo é exclusivo para uso nas leiras, os amontoados que ficam após o trabalho. Antes, o produtor tem que fazer a retirada das espécies invasoras de forma manual ou com máquinas”.

A autorização da Sema-MT tem validade de até três anos.

O período proibitivo de uso do fogo em Mato Grosso vai de 15 de julho a 15 de setembro.

A secretaria diz que o ideal é que os pecuaristas realizem o manejo agora. “É uma medida preventiva do governo com produtores para reduzir possíveis incêndios. Temos 70% do Pantanal para preservar e tomar cuidado”, disse.

A Embrapa Pantanal identificou, com a ajuda de imagens de satélites e outras bases de dados, as áreas tradicionalmente ocupadas por pastagens onde pode ser recomendado o manejo.

De acordo com Jorge Lara, chefe-geral da unidade, os pesquisadores também fizeram uma lista das espécies invasoras mais comuns, como o cambará, a canjiqueira, o pombeiro e o algodão-bravo.

Lara afirmou que o avanço de plantas invasoras - chamadas por ele de “colonizadoras”, por sua participação delas no processo natural de evolução do bioma - reduz a oportunidade dos pecuaristas do Pantanal mato-grossense.

“Para a pecuária, se não manejar essa paisagem, tem prejuízo na perda de pasto. E como a produção é extensiva, precisa de área para ter volume de produção que justifique a atividade”.

Ele observou, no entanto, que mesmo o manejo mais eficaz pode ser insuficiente ante a questão climática. “Se tiver um ano muito seco, mesmo assim vai sofrer as consequências”.

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) defende a medida, que já era permitida há anos em Mato Grosso do Sul.

“Não é só o boi que evita incêndio, mas reduzir o volume de matéria seca é uma medida que facilita o manejo do fogo depois”, disse Amado de Oliveira, consultor técnico da entidade.

“Não há prejuízo ambiental, a pecuária precisa ficar no Pantanal”, completou.

Oliveira diz que as plantas invasoras viram mata e que os animais não conseguem entrar para pastar.

“Se vier fogo nessa área, tem labaredas de cinco metros de altura. O que mais sofremos em 2020 foi ver animais morrendo, produtor sem pasto, sem água”, disse.

O decreto também permite aos pecuaristas escavar bebedouros para armazenar água para os animais em algumas regiões que serão abertas nas propriedades.

A próxima mudança em estudo pela Sema-MT e pela Embrapa Pantanal é o uso de gramíneas exóticas no bioma, como a braquiária, para dar viabilidade econômica a algumas propriedades.

Mas Lara afirmou que a substituição não será total. “Estamos verificando qual é a proporção adequada para cada situação. A questão é qual o ponto de equilíbrio para que não haja perda significativa de biodiversidade”, disse ele.

Joelson de Campos Maciel, promotor de Justiça em Cuiabá, informou, em nota, que o Ministério Público de Mato Grosso possui procedimento instaurado para acompanhar a situação, avaliada inicialmente como positiva.

O MPMT também apura as causas das queimadas do ano passado. “Entendemos que a biomassa acumulada no Pantanal foi o combustível que gerou todo aquele incêndio catastrófico”, disse.





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