Defesa contesta laudo que aponta surto de agrônomo acusado de matar esposa em MT Daniel Bennemann Frasson, de 36 anos, é acusado de assassinar a esposa Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, e tentar matar a filha de 7 anos, em junho deste ano, em Lucas do Rio Verde.
O laudo psiquiátrico da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluiu que o engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, de 36 anos, estava acometido por uma psicose no momento do assassinato da esposa Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, e do ataque à filha de 7 anos, em junho deste ano, em Lucas do Rio Verde (MT).
Agrônomo é acusado de matar mulher e esfaquear filha. – Foto: ReproduçãoO advogado da família de Gleici, Rodrigo Pouso Miranda, contestou o laudo e afirmou que há omissões, contradições e falta de clareza no documento pericial. Ele afirma que o documento se baseia em um diagnóstico provisório, sem conclusão definitiva.
Miranda pediu que a Justiça determine uma nova perícia médica ou, caso não seja possível, que seja reformada para afastar, por enquanto, o reconhecimento da inimputabilidade (não responder pelos crimes devido à incapacidade mental).
O Primeira Página entrou em contato com a defesa de Daniel, que disse que irá se manifestar em breve.
O que diz o laudo?
Segundo o laudo, Daniel apresentava psicose não orgânica, com possibilidade diagnóstica de transtorno afetivo bipolar em fase aguda com sintomas psicóticos. Os peritos afirmaram que, no momento do crime, o acusado estava totalmente incapaz de compreender o caráter ilícito do que fazia e de agir conforme esse entendimento.
A perícia também registrou que ele segue com sintomas psiquiátricos ativos, uso de estabilizadores de humor e antipsicóticos e apresenta risco suicida evidente, motivo pelo qual foi recomendada internação psiquiátrica especializada por tempo indeterminado, com prazo mínimo de um ano para tratamento.
Com base nessas conclusões, o juiz reconheceu a inimputabilidade de Daniel.
Filha da vítima questiona laudo
Nas redes sociais, a filha mais velha de Gleici, Caroline Fernandes, se manifestou sobre o laudo, o descrevendo como “piada de mau gosto”.
“Como alguém ‘incapaz de compreender o que estava fazendo no momento dos fatos’, abraça a própria filha, pedindo desculpas por ter assassinado a mãe dela, enquanto ela dormia ao lado, e a apunhá-la com quatro facadas nas costas, deita ela e defere mais quatro no peito?”, declarou relebrando o ataque à irmã, de 7 anos.
“Não banalizo saúde mental de forma alguma, mas usá-la como saída para justificar um crime tão cruel, é no mínimo, um insulto. Maldade, crueldade, egoísmo e inveja não são doenças, são escolhas”, continuou.
Relembre o crime
Daniel foi preso em flagrante no dia 24 de junho deste ano, acusado de matar a esposa Gleici a facadas e tentar matar a própria filha, de 7 anos, dentro de casa. A criança precisou ser internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e permaneceu hospitalizada por quase um mês antes de receber alta.
Logo após o crime, Daniel tentou tirar a própria vida, provocando ferimentos com faca. Ele foi socorrido, recebeu atendimento médico e, posteriormente, transferido para uma unidade prisional da região. Em setembro, a Justiça de Lucas do Rio Verde aceitou a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e tornou Daniel réu por feminicídio.
O caso segue em análise pela Justiça, que ainda avalia a necessidade de complementação pericial.

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