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Meio Ambiente
Terça - 18 de Novembro de 2025 às 14:26
Por: Ana Julia Pereira/Primeira Pagina

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TV Brasil

No ano de 2025, Mato Grosso registrou um aumento de 25% no desmatamento na Amazônia e de 5,5% no Cerrado. A informação consta em uma nota técnica lançada pelo Instituto Centro de Vida (ICV) nessa segunda-feira (17). Ao todo, o estado registrou 1.572 km² de desmatamento na sua porção amazônica e 455 km² de perda de vegetação nativa no Cerrado de agosto de 2024 a julho de 2025.

Nos dois biomas, 65,5% do desmatamento foi registrado em áreas em que não foram identificadas a autorização para supressão da vegetação nativa.

Especialistas apontam que para que o estado consiga cumprir as metas climáticas que visa zerar o desmatamento ilegal e reduzir a destruição das florestas até 2030, será necessário, além de reduzir o desmatamento não autorizado, derrubar, pela metade, o desmate no Cerrado.

DESMATAMENTO AMAZONIA 1ICV alerta para aumento do desmatamento em MT e ameaça aos compromissos climáticos. Foto: Alberto Cesar Araújo, Amazônia Real.

“Isso exige a continuidade e fortalecimento da governança ambiental apoiada por uma fiscalização eficiente, fomento às alternativas econômicas sustentáveis e a promoção de políticas públicas alinhadas com as metas climáticas. Entretanto, o cenário estadual enfrenta maiores desafios para reverter essa curva de aumento de desmatamento”, diz trecho da nota técnica.

Ameaças

Conforme explicou a coordenadora de Conservação e Clima do ICV, Ana Paula Valdiones, uma das grandes ameaças à redução do desmatamento em Mato Grosso é o fim dos efeitos da Moratória da Soja no estado.

A Moratória da Soja é um acordo multisetorial em que as empresas signatárias se comprometem a não adquirir e nem financiar a produção de soja provenientes de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008. Seu objetivo é frear o avanço do desmatamento no bioma. Em 2025, a Assembleia Legislativa (ALMT) decidiu retirar os incentivos fiscais para as empresas que aderirem às regras do acordo. A medida foi sancionada pelo Governo do Estado.

Antes da Moratória, cerca de 30% da expansão da soja ocorreu sob vegetação nativa. Depois da vigência do acordo, esse percentual caiu para cerca de 1%. Atualmente, todos os processos que discutem a legalidade da moratória estão suspensos até julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF).

“O fim desse acordo setorial de desmatamento zero pode levar ao aumento expressivo do desmatamento, seja pelo desmatamento causado para dar espaço a soja, pelo deslocamento de outras culturas ou pela especulação fundiária”, destacou Valdiones.

Outros números

Dos 1.572 km² desmatados na Amazônia em Mato Grosso, 58,2% foram realizados por meio de degradação progressiva. Esse tipo de desmatamento se dá a partir de grandes incêndios recorrentes, o que ocasiona a perda progressiva da biomassa da floresta e de sua diversidade estrutural.

O desmatamento por degradação progressiva tem aumentado na Amazônia e demonstra uma alteração no padrão do desmate. Mato Grosso é um dos estados com maior área de perda de floresta a partir dessa subcategoria, o que demonstra um impacto significativo do fogo na vegetação florestal.

Quanto às categorias fundiárias, 74,8% da área total desmatada nos dois biomas aconteceu em imóveis rurais cadastrados. Marcelândia, no norte do estado, lidera o ranking de desmatamento em Mato Grosso, sendo que 97,5% não foi autorizado e 84% foram registrados a partir da degradação progressiva.





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