Extração ilegal de madeira em MT aumenta em terras indígenas e diminui em imóveis rurais Cerca de 46% de atividade irregular em Mato Grosso foi registrada em Terras Indígenas e Unidades de Conservação.
De agosto de 2023 a julho de 2024, 46% de toda a área explorada ilegalmente para extração de madeira em Mato Grosso estava localizada em Terras Indígenas (TIs) e Unidades de Conservação (UCs), segundo levantamento do Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex). Ao todo, nas áreas protegidas foram explorados cerca de 22 mil hectares, sendo 17,8 mil em TIs e 4,6 mil em UCs, que representam um aumento de 85% em relação ao último relatório.
Em Mato Grosso, 26% da extração de madeira é ilegal – Foto: ReproduçãoAripuanã é o município com mais registros de exploração ilegal de madeira com 12,7 mil hectares, sendo 8,6 mil hectares somente na TI Aripuanã. A área está entre as mais ameaçadas assim como o Parque do Xingu e as UCs Reserva Extrativista Guariba/Roosevelt e o Parque Estadual Tucumã, em Colniza.
Entre 2023 e 2024, Mato Grosso registrou 190 mil hectares de florestas nativas exploradas para fins madeireiros, sendo 141 mil hectares (74%) extraídas legalmente, com autorização válida e dentro da área autorizada. Já o quantitativo de extração ilegal corresponde a 49 mil hectares, 26% do total, um aumento de 4% em relação ao ano anterior.
Além de Aripuanã, Colniza, Nova Ubiratã, Paranatinga, Marcelândia, Juína, Feliz Natal, Nova Maringá, Juara e Brasnorte completam a lista dos dez municípios mato-grossenses com mais registros de exploração de madeira não autorizada.
Imóveis rurais
Os imóveis rurais privados foram responsáveis por 47% de toda a exploração ilegal, totalizando sozinhos 22 mil hectares. Mais da metade estava concentrada em 30 propriedades. Segundo a Simex, apesar da porcentagem, o número foi o menor da série histórica desde 2013.
Levantamento trouxe informações detalhadas sobre extração não autorizada de madeira – Foto: SimexDe acordo com o coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do Instituto Centro Vida (ICV), Vinicius Silgueiro, a ilegalidade enfraquece o controle ambiental e a economia legal, porque cria uma concorrência desleal que desvaloriza e prejudica o setor e as empresas que investem em boas práticas.
Para ele, é preciso fortalecer a fiscalização que precisa ser mais punitiva; aprimorar a rastreabilidade e verificar dados de georreferenciamento e incentivar a legalidade e o manejo florestal sustentável.
Extração legal de madeira
A extração legal de madeira se baseia em um conjunto de normas supervisionadas principalmente pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA-MT). O processo envolve várias etapas. A propriedade deve apresentar Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS), que detalha como a exploração será feita de forma a garantir a conservação e também possuir o Cadastro Ambiental Rural validado. Além disso, é preciso acessar a sistemas, emitir documentos e pagar uma taxa de fiscalização de madeira.

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