“Servidor não elege ninguém, mas derrota quem desejar”, alerta Júlio Campos sobre impasse da RGA em Mato Grosso
O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) subiu o tom e enviou um recado direto ao Palácio Paiaguás sobre a quitação dos atrasados da Revisão Geral Anual (RGA). Em entrevista recente, o parlamentar lembrou que a ausência de uma proposta concreta por parte do governador Mauro Mendes para o pagamento dos 19,5% remanescentes pode cobrar um preço alto nas urnas.
Campos utilizou uma frase histórica de um ex-governador para ilustrar o perigo de ignorar as demandas da categoria: “O funcionário público não elege ninguém, mas derrota aqueles que eles desejarem”.
Para o deputado, o governo não deve subestimar a força política dos servidores. Segundo seus cálculos, Mato Grosso possui mais de 100 mil servidores públicos (entre ativos, inativos e pensionistas). Considerando o círculo familiar e a influência desses profissionais, o parlamentar estima um potencial de 400 a 500 mil eleitores que podem ser diretamente afetados pela decisão do Executivo.
O ponto central da crítica de Júlio Campos reside no contraste entre a atual pujança econômica do Estado e a falta de uma proposta de parcelamento para os 19,5% de perdas acumuladas.
“Eu, se fosse governador, e tivesse o Estado de Mato Grosso hoje como está, economicamente e financeiramente preparado, não teria nenhum problema em fazer um parcelamento do RGA atrasado e sair bem aplaudido", afirmou o deputado.
Apesar de reconhecer que a gestão de Mauro Mendes é marcada por grandes obras e realizações em todo o estado, Júlio destaca que está "faltando esse bom relacionamento" com o servidor, o que gera um desgaste desnecessário em um governo com contas equilibradas.
A cobrança do funcionalismo refere-se a períodos em que a inflação não foi recomposta integralmente nos salários, gerando uma defasagem que chega a quase 20%. Enquanto o Fórum Sindical pressiona por um cronograma de pagamento, o governo estadual tem mantido cautela, alegando limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, embora os indicadores de arrecadação do estado batam recordes sucessivos.
A fala de Júlio Campos, que pertence ao mesmo partido do governador, evidencia uma rachadura interna sobre como lidar com o funcionalismo. Em um ano que antecede grandes definições políticas, o "fantasma" da RGA promete continuar sendo o principal ponto de atrito entre a Assembleia Legislativa e o Executivo mato-grossense.
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