Bicudo coloca safra de algodão de MT sob maior pressão em 10 anos Alta infestação do bicudo desafia produtores em MT, que intensificam manejo para preservar produtividade da safra de algodão.
A safra de algodão em Mato Grosso enfrenta o cenário mais crítico da última década em relação ao bicudo-do-algodoeiro, principal praga da cultura. Monitoramentos realizados pelo Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt) apontam que a atual temporada registra níveis populacionais inéditos nos últimos dez anos, exigindo olhar atento do produtor para estratégias de controle no campo.
A praga é uma das que mais afetam a produtividade do algodão em Mato Grosso- Foto: ReproduçãoDe acordo com o entomólogo do IMAmt, Jacob Crosariol Netto, o momento exige atenção redobrada por parte dos produtores. Segundo ele, a fase atual da cultura demanda aplicações em formato de “bateria”, com uso de produtos de alta eficiência e intervalos curtos.
“Nesse momento da fase cultural é primordial as aplicações em formato de bateria, escolhendo produtos de alta eficiência com um intervalo dessas aplicações de no máximo cinco dias. O manejo de bicudo, ele deve ser bem feito dentro da propriedade, mas se ele for bem feito dentro de uma regional a gente deixa o ambiente muito mais limpo e desfavorável ao bicudo”, orientou Jacob.
O avanço do bicudo ocorre em um contexto já desafiador para os produtores de algodão, marcado por instabilidade climática no início do ciclo. Chuvas intensas e períodos prolongados de umidade atrasaram o desenvolvimento das lavouras e favoreceram pragas como o bicudo.
Além dessa praga, outras ameaças têm sido registradas nas lavouras, como o aumento da incidência de lagartas, especialmente a Spodoptera frugiperda, além de mosca-branca, grilos e até caramujos em algumas áreas. O técnico afirmou ainda que um bom controle de pragas passa pelo monitoramento constante.
Outro ponto destacado pelos especialistas é a importância do manejo coletivo. O combate isolado dentro das propriedades tende a ter eficácia limitada diante da capacidade de dispersão do inseto.
Nesse esforço integrado, ganha destaque o trabalho de eliminação de plantas voluntárias de algodão, que servem como hospedeiras do bicudo fora da safra.
Apesar da pressão do clima e das pragas, a expectativa é que a produção se mantenha em patamares elevados – Foto: Christiano AntonucciO coordenador dos assistentes técnicos regionais do IMAmt, Renato Trachinardi, explica que há uma atuação conjunta entre produtores e instituições.
“Hoje o IMA realiza a eliminação de plantas às margens das rodovias em aproximadamente 7 mil quilômetros de estradas pavimentadas e 4 mil quilômetros de estradas vicinais”, afirmou o assistente.
Apesar dos desafios iniciais, o cenário atual das lavouras é considerado positivo do ponto de vista do desenvolvimento vegetativo.
Expectativas de produção
Apesar da pressão recorde de pragas, os dados mais recentes do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado na última segunda-feira (16), indicam que a produtividade do algodão no estado segue em patamares elevados.
A estimativa para a safra 2025/26 aponta rendimento médio de 290,88 arrobas por hectare, mantendo estabilidade em relação aos levantamentos anteriores, mesmo diante dos obstáculos climáticos e das pragas.
Ainda segundo o relatório, o resultado final da safra dependerá do “bom desenvolvimento das lavouras nos próximos meses”, com atenção redobrada aos tratos culturais e ao clima.

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