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Agronegócios
Sexta - 20 de Março de 2026 às 13:36
Por: Marcos Salesse/Primeira Página

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A safra de algodão em Mato Grosso enfrenta o cenário mais crítico da última década em relação ao bicudo-do-algodoeiro, principal praga da cultura. Monitoramentos realizados pelo Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt) apontam que a atual temporada registra níveis populacionais inéditos nos últimos dez anos, exigindo olhar atento do produtor para estratégias de controle no campo.

bicudo do algodaoA praga é uma das que mais afetam a produtividade do algodão em Mato Grosso- Foto: Reprodução

De acordo com o entomólogo do IMAmt, Jacob Crosariol Netto, o momento exige atenção redobrada por parte dos produtores. Segundo ele, a fase atual da cultura demanda aplicações em formato de “bateria”, com uso de produtos de alta eficiência e intervalos curtos.

“Nesse momento da fase cultural é primordial as aplicações em formato de bateria, escolhendo produtos de alta eficiência com um intervalo dessas aplicações de no máximo cinco dias. O manejo de bicudo, ele deve ser bem feito dentro da propriedade, mas se ele for bem feito dentro de uma regional a gente deixa o ambiente muito mais limpo e desfavorável ao bicudo”, orientou Jacob.

O avanço do bicudo ocorre em um contexto já desafiador para os produtores de algodão, marcado por instabilidade climática no início do ciclo. Chuvas intensas e períodos prolongados de umidade atrasaram o desenvolvimento das lavouras e favoreceram pragas como o bicudo.

Além dessa praga, outras ameaças têm sido registradas nas lavouras, como o aumento da incidência de lagartas, especialmente a Spodoptera frugiperda, além de mosca-branca, grilos e até caramujos em algumas áreas. O técnico afirmou ainda que um bom controle de pragas passa pelo monitoramento constante.

Outro ponto destacado pelos especialistas é a importância do manejo coletivo. O combate isolado dentro das propriedades tende a ter eficácia limitada diante da capacidade de dispersão do inseto.

Nesse esforço integrado, ganha destaque o trabalho de eliminação de plantas voluntárias de algodão, que servem como hospedeiras do bicudo fora da safra.

AlgadaoApesar da pressão do clima e das pragas, a expectativa é que a produção se mantenha em patamares elevados – Foto: Christiano Antonucci

O coordenador dos assistentes técnicos regionais do IMAmt, Renato Trachinardi, explica que há uma atuação conjunta entre produtores e instituições.

“Hoje o IMA realiza a eliminação de plantas às margens das rodovias em aproximadamente 7 mil quilômetros de estradas pavimentadas e 4 mil quilômetros de estradas vicinais”, afirmou o assistente.

Apesar dos desafios iniciais, o cenário atual das lavouras é considerado positivo do ponto de vista do desenvolvimento vegetativo.



Expectativas de produção

Apesar da pressão recorde de pragas, os dados mais recentes do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado na última segunda-feira (16), indicam que a produtividade do algodão no estado segue em patamares elevados.

A estimativa para a safra 2025/26 aponta rendimento médio de 290,88 arrobas por hectare, mantendo estabilidade em relação aos levantamentos anteriores, mesmo diante dos obstáculos climáticos e das pragas.

Ainda segundo o relatório, o resultado final da safra dependerá do “bom desenvolvimento das lavouras nos próximos meses”, com atenção redobrada aos tratos culturais e ao clima.





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