Repórter News - www.reporternews.com.br
Politica MT
Domingo - 14 de Junho de 2026 às 07:11
Por: Joanice de Deus/Diário de Cuiabá

    Imprimir


Mayke Toscano/Secom-MT

Em meio aos apontamentos do deputado estadual Lúdio Cabral (PT) de que o custo final das obras do sistema de ônibus de transporte rápido, o chamado BRT, pode ultrapassar R$ 1 bilhão, valor semelhante ao previsto para o inacabado Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), o Governo de Mato Grosso informou que pagou, até o momento, R$ 206 milhões referentes à implantação do novo modal em Cuiabá e Várzea Grande.


No total, foram contratados R$ 533 milhões para os serviços de infraestrutura, construção de estações e terminais. O montante, conforme a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística, é inferior ao que foi arrecadado pelo Estado com a venda dos vagões e equipamentos do VLT, que totalizam R$ 915 milhões.


Um dos questionamentos feitos por Lúdio Cabral se concentra justamente na licitação para construção das estações do sistema, cujas intervenções atualmente avançam ao longo do eixo Aeroporto/CPA. Já o segundo ramal, Centro de Cuiabá/Coxipó, segue sem licitação, consequentemente, sem previsão de início das obras.


O parlamentar aponta que uma primeira disputa previa investimento de R$ 68 milhões para a implantação de 77 estações. Após a desclassificação da empresa vencedora, uma nova contratação foi realizada cerca de 75 dias depois, elevando o valor para R$ 120 milhões.


“Por que em 75 dias o custo das estações saiu de R$ 68 milhões para R$ 120 milhões?”, questionou o deputado, que também protocolou representação junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) pedindo apuração dos contratos.
Lúdio Cabral indica ainda divergências nos custos apresentados em novas contratações para uma obra que inicialmente custaria pouco mais de R$ 430 milhões no total e, somente no primeiro trecho, o Estado já contratou pouco mais de R$ 530 milhões. “Houve um aumento expressivo do custo, especialmente se considerar apenas um dos trechos”, disse.


Conforme ele, ao somar os novos contratos, a futura aquisição de veículos e as obras complementares previstas em corredores como a do Centro/Coxipó, o custo total do empreendimento poderá ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão. “Se for comparar com os gastos que ainda serão feitos com aquisição de veículos e trechos da Avenida Fernando Corrêa, a obra passará de R$ 1 bilhão”, avaliou.


Após as declarações do parlamentar, o secretário Marcelo de Oliveira, que adiou pela terceira vez sua participação em audiência na Casa de Leis, onde prestaria esclarecimentos sobre o andamento os valores e andamento das obras, veio a público explicar que os valores pactuados são a soma de quatro contratos feitos até o momento.


Oliveira informou, por meio da assessoria de imprensa, que o primeiro contrato assinado na ordem de R$ 468 milhões, com o Consórcio Construtor BRT, previa a implantação total da infraestrutura do sistema, mas foi rescindido devido a não execução das obras por parte das empresas responsáveis. Neste caso, foram pagos R$ 130 milhões, incluindo os valores de reajustes inflacionários.


Após a rescisão deste contrato, a Sinfra dividiu o restante da contratação em diversos lotes. Uma segunda licitação, que está em andamento, foi feita para a implantar o restante da infraestrutura nas Avenidas do CPA e na Prainha, na Capital, além do trecho entre o Aeroporto de Várzea Grande e o novo terminal da cidade. “Este contrato tem o valor de R$ 155 milhões, dos quais foram pagos R$ 76 milhões”.


Já uma terceira licitação foi realizada para construir as estações, em um valor de R$ 120 milhões, mas ainda sem pagamentos devido ao fato de a execução estar em seu início. O secretário informou que inicialmente teve uma proposta de R$ 68 milhões, que foi rejeitada pelo fato de a empresa não ter apresentado documentos técnicos e financeiros.


“A partir disso, nós incluímos no projeto a mudança do tipo de piso, a inclusão de portas automáticas, vidros com maior capacidade de reflexão de calor e a climatização das estações. Por isso, elas passaram para esse valor de R$ 120 milhões”, afiançou. “Por fim, foi realizada uma nova licitação para a contratação de uma empresa para construir os terminais, obras ainda não iniciadas, no valor de R$ 128 milhões”.





Comentários

Deixe seu Comentário

URL Fonte: https://www.reporternews.com.br/noticia/472600/visualizar/