Repórter News - www.reporternews.com.br
Agronegócios
Quinta - 25 de Junho de 2026 às 13:18

    Imprimir


A previsão de formação de um forte fenômeno El Niño entre os meses de junho e julho acendeu um sinal de alerta para os produtores rurais brasileiros que já se preparam para a safra 2026/27.

As projeções climáticas indicam que o evento deverá ter intensidade semelhante à registrada no biênio 2014/15, aumentando o risco de atraso no plantio e de redução da produtividade das lavouras em até 15%.

De acordo com as projeções, o fenômeno deverá provocar extremos climáticos no país. Enquanto a Região Sul pode enfrentar chuvas acima da média, com risco de enchentes, as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste deverão conviver com temperaturas elevadas, estiagens prolongadas, déficit hídrico e maior incidência de incêndios florestais.

Diante desse cenário, especialistas defendem que o planejamento da próxima safra deve começar antes mesmo do início do plantio. Para o consultor agronômico e especialista em fisiologia vegetal Leandro Barcelos, responsável pela consultoria da lavoura que bateu o recorde nacional de produtividade de soja do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB) em 2025, ainda há tempo para reduzir significativamente os impactos do clima por meio do manejo adequado do solo.

Segundo ele, a principal ferramenta para enfrentar tanto a seca quanto o excesso de chuvas é investir na construção de um perfil de solo profundo e descompactado, favorecendo o desenvolvimento do sistema radicular das plantas.

"O produtor não pode controlar o clima, mas pode controlar o ambiente onde a raiz se desenvolve. Quando construímos um perfil de solo profundo, livre de impedimentos químicos e fisicamente estruturado, a planta consegue buscar água e nutrientes em camadas mais profundas e suporta melhor tanto períodos de seca quanto de excesso de umidade", afirma.

Barcelos explica que, nas regiões mais suscetíveis à estiagem, como o Centro-Oeste, a prioridade deve ser eliminar barreiras químicas, especialmente a presença de alumínio tóxico, utilizando calcário e gesso para estimular o aprofundamento das raízes.

Já no Sul, onde a expectativa é de chuvas intensas, o desafio será garantir a infiltração rápida da água. Para isso, a descompactação do solo torna-se fundamental para evitar encharcamentos e a falta de oxigênio nas raízes.

SOLO - O especialista compara o solo ao motor de um automóvel para ilustrar a importância do investimento na sua estrutura antes da adoção de tecnologias mais sofisticadas.

"Não adianta colocar uma Ferrari para correr em uma estrada cheia de buracos. O solo é o motor da lavoura. Sementes de alto vigor, fertilizantes e micronutrientes funcionam como uma turbina. Mas não adianta turbinar um motor comprometido", compara.

Entre as recomendações para a safra 2026/27 estão a realização de análises do perfil do solo, uso estratégico de calcário e gesso, descompactação mecânica, adoção de plantas de cobertura para aumentar a matéria orgânica, fortalecimento do sistema de plantio direto e atenção à janela ideal de semeadura.

Segundo Barcelos, produtores que investirem na biologia do solo e no fortalecimento do sistema radicular terão melhores condições de enfrentar os desafios climáticos previstos para a próxima temporada.

"O clima vai desafiar o agricultor em 2026, mas quem investir na raiz, na biologia e na fisiologia das plantas colherá os resultados em 2027, com maior estabilidade produtiva e rentabilidade", conclui..





Comentários

Deixe seu Comentário

URL Fonte: https://www.reporternews.com.br/noticia/472804/visualizar/