Aos 61 anos, mato-grossense se torna padre depois de casar, ter filhos e virar avô e realiza sonho de infância Pedro Hagassis descobriu ainda criança o desejo de seguir a vida religiosa, deixou o seminário, constituiu família e retomou a vocação décadas depois.
O mês de agosto, para a Igreja Católica é considerado o mês das vocações, entre elas, a vocação para o sacerdócio. Em Mato Grosso, o padre Pedro Hagassis fala sobre um desejo vocacional que surgiu ainda na infância, quando ele morava em Santana do Acaraú, no Ceará.
Coroinha, ele acompanhava as celebrações de perto e tinha uma curiosidade especial: queria entender o que acontecia no momento da consagração da hóstia. Foi ali que começou uma caminhada que levaria quase cinco décadas até chegar ao sacerdócio.
“Eu tinha uma paixão muito grande e nasceu então esse desejo de ser padre”, relembra.
Padre Pedro atua na Paróquia Sagrada Família em Nova Mutum. – Foto: PascomPor volta de 1963, Pedro participou de um encontro vocacional. No ano seguinte, ingressou no seminário menor, em Caucaia, também no Ceará, onde permaneceu durante quatro anos. O caminho, porém, foi interrompido quando o seminário fechou.
Ele voltou para casa acreditando que aquele sonho também havia terminado. “Fiquei decepcionado porque pensei que a minha vocação tinha acabado. Mas, na realidade, não acabou. Ficou guardada dentro de mim.”
A vida tomou outros rumos. Pedro namorou, casou, teve filhos e tornou-se avô. A possibilidade de ser sacerdote parecia pertencer à juventude até que, após a morte da esposa, o chamado que havia começado ainda na infância voltou a ganhar espaço.
Pedro retornou ao seminário e recomeçou a formação. Foram três anos de filosofia e outros quatro de teologia até chegar à ordenação.
Em agosto de 2010, tornou-se diácono. Em 30 de janeiro de 2011, aos 61 anos, finalmente foi ordenado sacerdote.
Hoje, às vésperas de completar 77 anos, Padre Pedro atua na Paróquia Sagrada Família, em Nova Mutum. Mais de seis décadas depois das primeiras missas que acompanhou como coroinha no interior do Ceará, ele ainda fala da escolha com a simplicidade de quem encontrou o lugar que buscava desde menino.
“Posso dizer que a minha vida como sacerdote foi realizada com muito carinho e amor. Eu gosto de ser padre”.
A trajetória de Padre Pedro não foi marcada por um caminho direto até o altar, mas por uma vocação que atravessou diferentes fases da vida. O sonho interrompido na adolescência sobreviveu ao tempo, à formação de uma família e às mudanças de percurso até encontrar, décadas depois, uma nova oportunidade de ser vivido.

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