Cesta básica cai, mas ainda custa 4,5% mais que há um ano Preço médio recuou 0,65% e chegou a R$ 836,28. Queda de feijão, café e açúcar não anulou aumento acumulado
O preço da cesta básica mantém a trajetória de queda em Cuiabá, neste início de agosto, mas o alívio ainda é insuficiente para devolver o custo da alimentação aos níveis registrados no ano passado.
Na segunda semana do mês, o conjunto de alimentos apresentou redução de 0,65%, atingindo preço médio de R$ 836,28.
Os dados são do boletim do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT) e mostram um cenário de duas velocidades: enquanto alguns dos principais produtos ficaram mais baratos nas últimas semanas, o valor total da cesta ainda está 4,50% acima do observado no mesmo período de 2025.

A diferença ajuda a explicar por que as reduções recentes ainda são pouco percebidas no orçamento doméstico.
Mesmo com produtos importantes em queda, a família cuiabana continua desembolsando mais para comprar o conjunto da cesta do que gastava há um ano.
O presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves, o Tião da Zaeli, destaca que a sequência de reduções observada desde julho representa um movimento favorável, mas ressalta que as altas acumuladas anteriormente ainda pesam sobre o consumo.
“Apesar de a variação semanal da cesta sinalizar uma trajetória favorável ao consumidor, observada desde julho, a diferença no comparativo anual mostra que o custo da alimentação ainda não retornou aos patamares anteriores”, afirma.
FEIJÃO RECUA 5,32% - Entre os itens que contribuíram para a redução semanal, o feijão apresentou uma das quedas mais expressivas.
O preço médio do produto recuou 5,32%, chegando a R$ 9,03 o quilo.
Segundo a análise do IPF-MT, a maior disponibilidade do grão, favorecida pela produção da safra atual, pode ter contribuído para o movimento.
A relação entre oferta e preço também aparece no comportamento de outros produtos da cesta.
O café ficou 3,24% mais barato na semana, com o pacote de 500 gramas alcançando preço médio de R$ 27,72.
A redução ocorre em um momento no qual as principais regiões produtoras atingem o pico de produção previsto para a safra, aumentando a disponibilidade do produto no mercado.
A situação, entretanto, poderá mudar depois do encerramento da colheita, quando a redução da oferta pode voltar a pressionar os preços.
Apesar dessa possibilidade, o café apresenta atualmente uma situação mais favorável para o consumidor quando a comparação é feita com o ano passado.
Na mesma época de 2025, o pacote de 500 gramas custava, em média, R$ 33,84.
O preço atual representa uma redução de 18,08% em 12 meses.
AÇÚCAR TEM QUEDA AINDA MAIOR - O açúcar também continua apresentando redução.
Na segunda semana de agosto, o produto registrou queda de 1,13%, chegando ao preço médio de R$ 1,58 por quilo.
Segundo a análise, a produção dos canaviais permanece estável enquanto as usinas mantêm estoques elevados.
A necessidade de escoamento do produto pode estar contribuindo para a redução dos preços.
No caso do açúcar, a diferença em relação ao ano passado é ainda mais acentuada.
O produto está 53,24% mais barato do que no mesmo período de 2025.
Os movimentos do café e do açúcar mostram, porém, que a redução expressiva de determinados produtos não necessariamente se traduz em queda equivalente do custo total da alimentação.
Isso ocorre porque os demais componentes da cesta apresentam comportamentos distintos e têm pesos diferentes no gasto das famílias.
INFLAÇÃO NÃO É IGUAL PARA TODOS OS ALIMENTOS - Para o IPF-MT, os resultados reforçam o caráter heterogêneo da inflação dos alimentos.
Safras, estoques disponíveis, condições climáticas, custos de produção e disponibilidade de matéria-prima interferem de maneiras diferentes em cada cadeia. Por isso, enquanto alguns produtos podem apresentar quedas acentuadas, outros permanecem pressionados ou registram elevação.
É justamente essa combinação que ajuda a explicar o contraste observado em Cuiabá: a cesta fica mais barata de uma semana para outra, mas continua mais cara na comparação com 2025.
Para as famílias, portanto, a sequência de reduções iniciada em julho representa um sinal positivo, mas o alívio mais consistente dependerá da continuidade do movimento e de sua disseminação por um número maior de alimentos.
A CESTA EM NÚMEROS
R$ 836,28
Preço médio da cesta básica na segunda semana de agosto
-0,65%
Variação em relação à semana anterior
+4,50%
Diferença em relação ao mesmo período de 2025
FEIJÃO
R$ 9,03/kg
-5,32% na semana
CAFÉ
R$ 27,72/500 g
-3,24% na semana
-18,08% em 12 meses
AÇÚCAR
R$ 1,58/kg
-1,13% na semana
-53,24% em 12 meses
Fonte: IPF/Fecomércio-MT.

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