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Meio Ambiente
Sexta - 28 de Agosto de 2026 às 11:06
Por: Marianna Peres/Diário de Cuiabá

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A combinação de baixa umidade, temperaturas próximas dos 40°C e vegetação ressecada coloca Mato Grosso no período mais crítico da seca no campo. Entre agosto e setembro, as condições favorecem a propagação do fogo e aumentam o risco de incêndios atingirem lavouras, pastagens, estruturas das propriedades e áreas de vegetação preservada.

Dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), mostram que Mato Grosso registrou 871 eventos de fogo ativo entre 1º e 21 de agosto. O Estado ficou atrás apenas do Pará, com 987 ocorrências no período.

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Jangada, Paranatinga e Nova Santa Helena estão entre os municípios com maior número de ocorrências registradas pelo Corpo de Bombeiros Militar. Em Jangada, a Prefeitura decretou situação de emergência no último dia 17, após o fogo avançar sobre áreas urbanas e rurais.

Equipes dos bombeiros permanecem mobilizadas nos municípios atingidos, com apoio de aeronaves e de produtores rurais que auxiliam no combate.

Diante do avanço da estiagem, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) reforçou as orientações para que as propriedades estejam preparadas antes do agravamento das condições climáticas.

“Todo ano a associação lança uma campanha antecipada, justamente com a intenção de lembrar o produtor de tomar as devidas precauções antes da seca severa. Quando chega agosto, quando os focos tradicionalmente começam a aumentar, ele já está preparado, já sabe como combater e já fez os preparativos para que, se houver fogo na propriedade, o dano seja o menor possível”, afirma Luiz Pedro Bier, vice-presidente e coordenador de Sustentabilidade da Aprosoja MT.

Três biomas - O período seco coloca Mato Grosso entre os estados mais expostos aos incêndios. Além da extensão territorial, o Estado reúne Amazônia, Cerrado e Pantanal, biomas com características diferentes de vegetação e comportamento do fogo.

Bier afirma, porém, que os números precisam ser analisados também de acordo com o local onde as ocorrências começam.

Segundo ele, mapas de calor utilizados no monitoramento indicariam concentração de registros fora das áreas de produção agropecuária.

“É nítido que esses fogos não começam em áreas de lavoura, muito menos em áreas de pecuária. Via de regra, começam em beiras de rodovias, se espalham e muitas vezes avançam para dentro das áreas produtivas. O produtor não tem interesse nenhum em colocar fogo na própria área”, afirma.

A avaliação representa a posição da Aprosoja MT sobre a origem das ocorrências. A entidade sustenta que os produtores estão entre os principais prejudicados quando o fogo avança sobre as propriedades.

Prejuízo vai além das chamas - Os danos podem atingir sedes, galpões, cercas, máquinas e equipamentos. Para a produção agrícola, entretanto, um dos impactos menos visíveis ocorre no próprio solo.

O calor intenso provocado pelo incêndio pode acelerar a mineralização da matéria orgânica, afetando um componente importante da fertilidade e da produtividade agrícola.

“Existe o risco de queimar sede, de queimar maquinário, mas o maior prejuízo é a mineralização da matéria orgânica pelo excesso de calor. Isso põe por água abaixo um trabalho que leva anos para se construir, e a matéria orgânica é componente essencial para a produtividade de qualquer cultura, especialmente soja e milho”, diz Bier.

Segundo ele, o produtor também acaba participando diretamente das primeiras ações de combate quando as chamas chegam à propriedade.

“O produtor muitas vezes atua como bombeiro para apagar esses incêndios, e tem muita responsabilidade porque dentro da sua propriedade tem grande parte de área preservada também”, afirma.

Aceiros e tecnologia - A prevenção começa antes do período de maior risco. Entre as medidas recomendadas estão a preparação antecipada de aceiros, manutenção de equipamentos para combate, definição de pontos de acesso à água e acompanhamento constante das condições da propriedade e de seu entorno.

A tecnologia passou a ocupar espaço maior nesse trabalho. Aplicativos e sistemas de monitoramento permitem receber alertas sobre focos de calor e identificar rapidamente ocorrências próximas às propriedades.

“Ultimamente temos usado muita tecnologia. Já existem aplicativos que criam alertas de incêndio, e isso vem formando uma rede que minimiza o dano, reduz a velocidade de propagação e faz o fogo queimar pelo menor tempo possível”, afirma Bier.

A Aprosoja MT integra o Comitê Estadual de Gestão do Fogo e mantém parceria com o Corpo de Bombeiros Militar em ações relacionadas à prevenção e preservação.

A entidade também disponibiliza aos produtores uma cartilha de Manejo Integrado do Fogo, com orientações sobre prevenção, preparação das propriedades e procedimentos diante de ocorrências.

Com agosto entrando na fase final e setembro ainda pela frente, o Estado permanece no período de maior atenção. A combinação de umidade abaixo de 20%, calor próximo dos 40°C e material vegetal seco aumenta a velocidade de propagação das chamas e reduz o tempo disponível para impedir que um foco se transforme em incêndio de maiores proporções.





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