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Agronegócios/Agricultura

17/01/2012 | 09h21m Combate à ferrugem pode gerar custo extra de R$ 200 milhões em MT Estado lidera ranking de casos da doença, com 36 ocorrências. Agricultores falam em aplicações extras e perda de produtividade.


Plantio da soja finalizou em MT (Foto: Leandro J. Nascimento / G1)
Disseminação da doença preocupa setor produtivo
(Foto: Leandro J. Nascimento / G1)


O combate à ferrugem asiática em Mato Grosso, mediante aplicações extras de fungicidas, deve pesar no bolso do produtor rural. As contas indicam uma cifra milionária para arcar com a aquisição e custear todas as operações. As aplicações de produtos nas lavouras, que em épocas comuns chegam a duas e meia deve subir para até cinco. Tudo para controlar o avanço da doença no estado, atualmente o mais afetado. Ao todo, 36 casos de ferrugem asiática foram verificados na safra até o presente momento. A projeção é que custo mínimo alcance R$ 200 milhões, segundo estima o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho Brasil (Aprosoja), Glauber Silveira.

Embora a conta ainda não esteja fechada e as cifras possam sofrer alteração, o produtor deve se preparar para os gastos não esperados. "Se você tinha um clima mais seco, você poderia tirar a saca em Mato Grosso com duas aplicações e meia. Com a chuva, clima úmido, você tem uma diferença maior em função da ferrugem. O clima está propício para a doença. Será preciso gastar mais", declarou, em entrevista ao G1.

O tamanho da área destinada à soja também deve contribuir com o aumento nos custos. Nesta safra de 2011/12 foram 6,9 milhões de hectares. "O preço do fungicida vai de 12 a 20 dólares. Se você pegar os 20 dólares, multiplicado pela área, já teríamos mais de 250 milhões", ressaltou Glauber Silveira. A colheita do grão também tem contribuído para disseminar o fungo causador da ferrugem asiática. As lavouras tardias devem ser as que mais sofrerão com a doença.

O produtor Ademir Rostirolla, de Campos de Júlio, município a 692 quilômetros de Cuiabá, já prevê realizar aplicações extras de fungicidas em suas lavouras. Ele plantou este ano 2,5 mil hectares e para manter o controle sanitário na plantação decidiu reduzir também o intervalo do uso dos agrotóxicos. Consequentemente, o produtor deve arcar com 20 dólares a mais para cada hectare.

"Ainda não comecei com as aplicações extras porque a soja ainda está nova. Tive que diminuir o intervalo. O normal é de três aplicações entre 20 a 22 dias. Mas como está ocorrendo o ataque da ferrugem diminuímos os intervalos e vamos ter que fazer quatro", frisou, ao G1.

Se por um lado recorrer a mais aplicações de fungicidas implica na segurança para a soja, o produtor já fala em perda produtividade nas lavouras. "Quem faz a quarta aplicação pode reduzir de duas a três sacas por hectare. A planta sofre redução de produtividade e todos perdem", explicou.

"É como uma pessoa que toma muito antibiótico e tem o fígado atacado", reiterou o produtor rural. As doses a mais de agrotóxico que precisarão ser lançadas nas lavouras também preocupam o produtor, pois pode implicar em riscos à saúde humana.

Brasil
No Brasil, até o final da manhã desta segunda-feira (16), os casos de ferrugem asiática somavam 64, com Mato Grosso na primeira posição. O Paraná contabiliza 11, seguido por Goiás, com 9.

No estado que detém a maior produção brasileira de soja, a disseminação da doença acentuou-se a partir de dezembro. A doença atingiu a lavoura com antecedência, preocupando o produtor. Se as projeções de safra para Mato Grosso forem confirmadas, a produção da oleaginosa pode atingir 22,1 milhões de toneladas, resultado 7,8% acima do verificado em 2010/11, quando foram 20,5 milhões de toneladas.


Por: Leandro J. Nascimento
Fonte: Do G1 MT




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