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Cultura
Domingo - 07 de Fevereiro de 2021 às 10:47
Por: José Lucas Salvani/Olhar Direto

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O cineasta mato-grossense, Madiano Marcheti, em entrevista ao Olhar Conceito, relatou que é muito complicado fazer cinema no Brasil. Para ele, “o poder público precisa enxergar a cultura como um investimento”. Madiano estreou na última quarta-feira (3) o longa-metragem “Madalena” no Festival Internacional de Cinema Rotterdam, um dos principais do mundo na área da sétima arte.


“É muito complicado. Sempre foi muito difícil, mas agora está mais. Eu sei que sou muito privilegiado de conseguir fazer esse filme aos 32 anos de idade. É muito complicado mesmo. Existe muito mérito da equipe e uma conjunção de fatores que ajudou naquele momento para que a gente conseguisse fazer o filme”, conta ao Olhar Conceito. O filme é uma co-produção entre produtoras do Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, o que contribuiu para que o filme fosse feito.



Madiano acredita que as dificuldades na produção de filmes no Brasil se agravaram nos últimos dois anos, por conta do desmantelamento da cultura promovida pelo Governo Bolsonaro. A dificuldade enfrentada é resultado de uma soma de fatores como a extinção do Ministério da Cultura e o sucateamento da Agência Nacional de Cinema (Ancine).



“Há dois anos, desde que começou o novo governo, ficou muito complicado. O Ministério da Cultura foi extinguido. A Ancine está totalmente sucateada e não tem nenhum edital. Nenhuma arte sobrevive no país sem editais. O poder público precisa enxergar a cultura como investimento. As pessoas precisam de cultura. É a maneira como a gente se enxerga e reflete”, afirma.



Madiano Marcheti nasceu em Porto dos Gaúchos, porém cresceu em Sinop, onde permaneceu até os seus 18 anos. Nesta idade, ele se mudou para Cuiabá para cursar Rádio e TV na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), mas foi se formar em Cinema na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Posteriormente à formação, ele passou a se dedicar em “Madalena”, durante cinco anos.



“Madalena” acompanha três histórias que se desenvolvem a partir da morte de uma mulher transsexual que dá título ao filme. Os personagens centrais dessas histórias - Luziane, Bianca e Cristiano - estão envolvidos de alguma forma com a morte ou com Madalena, trazendo para o longa-metragem três pontos de vista quanto ao acontecimento.



“O filme é muito sobre esse momento que estamos vivendo. Sobre empatia e como você enxerga o outro, como você se posiciona em relação às brutalidades e violências, se você se posiciona ou não. Isso é meio que um testemunho do lugar, que é uma cidade do centro-oeste brasileiro, muito inspirado onde vivi em Mato Grosso”, conta ao Olhar Conceito.



O longa-metragem foi rodado em Dourados, no Mato Grosso do Sul. Estão no elenco Natália Mazarim, Rafael de Bona, Pamella Yule, Chloe Milan, Mariane Cáceres, Nádja Mitidiero, Joana Castro, Edilton Ramos, Maria Leite, Antonio Salvador e Lucas Miralles.



A previsão é de que o filme chegue em território nacional em 2021, mas com a pandemia do novo coronavírus a estreia é incerta. “No Brasil vamos esperar esse momento da pandemia passar um pouco. Os cinemas nem estão abertos direito ainda. Está muito complicado nesse momento, mas queremos muito estrear no Brasil e em Mato Grosso [respectivamente]”.







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