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Opinião
Terça - 19 de Janeiro de 2021 às 10:41
Por: Roberto de Barros Freire

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Estamos perdendo tempo com Bolsonaro. O impeachment é urgente e necessário. Cada dia a mais dele no poder é um atraso a mais que sofremos. Tanto do ponto de vista da saúde pública, da economia, do desenvolvimento social e humano, como do meio ambiente e do país, a cada a dia de sua permanência no poder, pior fica a nação, mais atacadas são as instituições, mais desconfianças e guerras são tramadas. Empresas estão indo embora e as nações afastam-se de nós, como de algo tóxico.

Um país que está se tornando um pária internacional, motivo de chacota global. Não apenas não somos levados a sério, somos tratados com desconfiança pelas demais nações devido a um negacionismo bárbaro de Bolsonaro e seu ministério.

O governo não se preparou até agora para a vacinação, sendo tudo feito de improviso. Só recentemente foi atrás de seringas e agulhas quando deveria estar adquirindo esses insumos desde agosto do ano passado, como afirmavam empresas do setor e os médicos. Resultado, não conseguiu adquiri-las e ainda culpou a indústria por sua falta de logística.

Só agora foi se preocupar em comprar o imunizante da Índia, o que também não foi possível, pois tudo isso tem que ser realizado com meses de antecedência, não de última hora, como ocorre hoje em dia no ministério da saúde que corre atrás dos problemas, não os antecipa e os impede de ocorrer.

Estamos perdendo tempo com Bolsonaro. O impeachment é urgente e necessário

O governo federal faz guerra contra os governadores, contra a imprensa, contra as vacinas, contra a população, contra as urnas eletrônicas e contra a ciência. Propaga falsidades sobre tratamentos contra a covid, contra as pessoas, contra os veículos de comunicação, contra os demais poderes. Enfim, combate a civilização e propaga a barbárie.

Desde já prepara um golpe contra a democracia, alegando sem provas que as urnas eletrônicas são fraudáveis. Bolsonaro afirma que houve fraude na sua eleição, que a imprensa só propagada fake news, que as instituições não funcionam, criando o clima propício para negar os resultados das urnas, e que só ele detém a verdade.

Cópia mal feita da trajetória de Trump. Ora, está preparando o golpe contra as instituições afirmando falsamente que as mesmas não funcionam ou não são confiáveis. A única coisa confiável no país é o seu faro, segundo sua opinião desonesta.

O líder populista se define como único e autêntico representante da vontade popular e um eventual resultado desfavorável nas urnas sempre poderá ser atribuindo a falhas no processo eleitoral. Trata-se, portanto, de uma estratégia preventiva de populistas autoritários e golpistas para buscar se manter indefinidamente no poder.

O recente acontecido em Manaus é mais uma prova da inépcia desse governo. Desde o dia 10/01 governo já sabia que faltaria oxigênio nos hospitais de Amazonas e ao invés de providenciar esse insumo, resolveu mandar vários “médicos” (ideólogos!) para defender o suposto “tratamento precoce”, um misto de tolice e fantasia tão ao gosto dos bolsonaristas.

Pessoas estão morrendo asfixiadas em Manaus por falta de oxigênio nos hospitais, e o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, atribuiu o colapso do sistema de saúde ao aumento da umidade e ao fato de médicos locais não prescreverem "tratamento precoce”.

É um duplo desastre. Gasta dinheiro no lugar errado e na hora errada. É inacreditável como o Pazuello e aquela equipe conseguem fazer uma bobagem em cima da outra em um momento em que todos deveríamos estar fazendo um esforço pela vacina. Mas, sobre a vacina, só improvisos, sem logística, sem planejamento, e agora querendo usurpar as vacinas produzidas por São Paulo, coisa que o governa Bolsonaro zombou até ontem, e agora quer ter o domínio sobre toda produção paulista.

Bolsonaro deve ser responsabilizado por deixar o Amazonas sem oxigênio e por ser contrário às medidas de distanciamento social, uso de máscaras e "difundir desinformação".

Por sabotar pesquisas e campanhas de vacinação, por desincentivar o uso de máscaras e incentivar o uso de medicamentos ineficazes, por difundir desinformação. Bolsonaro e coautores nada fizeram para evitar essas mortes. Ao contrário, empurraram os brasileiros para uma roleta-russa: estimularam aglomerações, negaram ao país um plano célere de vacinação e ofereceram, no lugar de cuidados sérios, um coquetel de medicamentos ineficazes, sob o rótulo enganoso de "tratamento precoce".

Enfim, está mais que comprovada a incompetência do nosso governante, uma incompetência perigosa e destrutiva, que semeia guerra e discórdia, que joga uns contra outros e que já promoveu mais de 200.000 mortes por Covid.

Há de chegar o dia em que os responsáveis por essa tragédia brasileira irão sentar-se no banco dos réus. Se as nossas instituições parecem sedadas, incapazes de reagir à altura de sua missão constitucional, quem sabe organismos multilaterais, como o Tribunal Penal Internacional (que já examina uma ação contra Bolsonaro anterior à pandemia) ou o Conselho de Direitos Humanos da ONU, atentem para a gravidade do que acontece aqui.

Nosso congresso infelizmente está sentado sobre vários processos de impeachment contra Bolsonaro e covardemente fica a espreita esperando a coisa cair de pobre, ao invés de agira para que a podridão não prossiga. Tão ruim quanto o governo federal, me parece boa parte desse congresso, mais preocupado com a eleição de sua mesa diretora, do que com os destinos do país.

Roberto de Barros Freire é professor do Departamento de Filosofia/UFMT.



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