

Grupos dinamarqueses de ultra-esquerda realizaram neste sábado em Hilleroed (noroeste de Copenhague) uma manifestação para protestar contra as reações da ultradireita à polêmica publicação das caricaturas do profeta Maomé na Dinamarca.
Centenas de jovens, em sua maioria vestidos de negro e com a cabeça coberta por capuzes ou gorros, proclamavam "a luta continua, os nazistas devem ser arrasados", aglomerados num estacionamento da cidade.
A manifestação, vigiada de perto pela polícia, foi uma resposta à movimentação da Frente Dinamarquesa, um grupo de ultradireita.
"Fazemos isso para mostrar que nós, organizações locais, dizemos NÃO às manifestações racistas e ignorantes da Frente Dinamarquesa contra os Muçulmanos da Dinamarca e do Mundo", explicou à AFP Daneil Savi, secretário regional da juventude do Partido Socialista do Povo (SFU, ultra-esquerda).
A publicação, em 30 de setembro, pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten de 12 caricaturas do profeta Maomé, provocou a ira dos muçulmanos, cuja religião proíbe a representação do profeta.
No Oriente Médio foram feitas ameaças contra a Dinamarca, queimadas bandeiras do país escandinavo e está sendo realizada uma campanha de boicote aos produtos dinamarqueses.
Em Damasco, manifestantes incendiaram neste sábado o prédio da embaixada da Dinamarca e da Noruega. A polícia conseguiu impedir que fizessem a mesma coisa com a embaixada da França.
Dezenas de comerciantes palestinos da rua Saladino, de Jerusalém Oriental, colocaram na entrada de suas lojas bandeiras dinamarquesas para serem usadas como capachos para limpar os pés em protesto contra a publicação das caricaturas do profeta Maomé.
Além disso, dezenas de jovens palestinos jogaram pedras neste sábado contra a sede da União Européia em Gaza, ferindo policiais palestinos.
Em Nazaré, norte de Israel, milhares de muçulmanos protestaram pelas ruas da cidade contra a publicação das caricaturas na Europa.
"É um caso que já foi longe demais, e é claramente por culpa da Dinamarca", explicou Helle Mortensen, uma simpatizante da ultra-esquerda.
"Não há razões para usar a liberdade de expressão como pretexto para molestar outras pessoas", acrescentou.
Em Londres cerca de 400 pessoas protestaram ante a embaixada da Dinamarca contra a publicação das charges, pedindo que a totalidade dos países europeus pressione seus meios de comunicação.
"Os governos europeus devem pressionar a imprensa de seu país a fim de que ela retire as caricaturas ofensivas e pedimos aos dirigentes do mundo muçulmano que rompam imediatamente toda relação diplomática e econômica com os governos europeus que continuarem autorizando a publicação de tais charges ofensivas", acrescentou Waheed.
Em Amã, o chefe de redação da revista jordaniana Shihan, que publicou as controvertidas caricaturas de Maomé, foi preso neste sábado, e o promotor-geral abriu uma investigação sobre outra revista que as publicou.
Shihan havia reproduzido na quinta-feira três das caricaturas que chamavam os muçulmanos do mundo "à razão" em seu editorial.
O Vaticano, por sua vez, afirmou que o direito à liberdade de expressão não inclui a ofensa às crenças religiosas, em seu primeiro comentário sobre o escândalo das caricaturas.
O jornal holandês de esquerda De Volkskrant recebeu ameaças depois de ter reproduzido as caricaturas de Maomé.
Já o Museu Nacional da Imprensa de Portugal publicou neste sábado, em seu museu virtual, a "galeria Maomé" (www.cartoonvirtualmuseum.org/), na qual figuram oito das charges do profeta que suscitaram a ira no mundo muçulmano.
"O direito sagrado à liberdade de imprensa entrou em conflito com o mito sagrado de Maomé", indica uma introdução do site, para o qual a polêmica criada pela publicação das caricaturas evidencia "a força universal da caricatura e o papel da imprensa como pilar da liberdade".
Fonte: EFE
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