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Opinião
Segunda - 09 de Fevereiro de 2026 às 00:00
Por: Mariana Ramos

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Períodos de festas, viagens e celebrações costumam vir acompanhados de mudanças na rotina, principalmente na alimentação, no consumo de bebidas alcoólicas e nas horas de sono. Aproveitar esses momentos faz parte da vida e do equilíbrio emocional, mas é importante entender como o organismo reage quando esses excessos se tornam frequentes, especialmente do ponto de vista da saúde metabólica.


O metabolismo funciona como um sistema integrado, regulado por hormônios, sono adequado, alimentação equilibrada e níveis controlados de estresse. Quando um desses pilares sai do eixo, o corpo tende a sinalizar por meio de cansaço excessivo, inchaço, alterações do apetite e dificuldade de manter o peso. Durante períodos festivos, é comum que todos esses fatores se desorganizem simultaneamente, potencializando seus efeitos.

Na alimentação, o impacto vai além do aumento calórico. O consumo mais frequente de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gorduras de baixa qualidade e sódio, favorece picos de glicemia e de insulina, além de estimular processos inflamatórios e maior retenção hídrica. Isso pode resultar em sensação de estufamento, retenção de líquidos e queda de energia ao longo do dia. Manter refeições minimamente equilibradas, com presença de proteínas, fibras e micronutrientes, além de boa hidratação, ajuda o organismo a lidar melhor com esses excessos pontuais.

O álcool merece atenção especial. Além de fornecer calorias vazias, ele interfere diretamente no funcionamento do fígado, órgão central do metabolismo energético. O consumo excessivo ou frequente reduz a oxidação de gordura, favorece o aumento do apetite e escolhas alimentares menos conscientes, além de poder desregular o controle glicêmico. Do ponto de vista hormonal, o álcool também contribui para a elevação do cortisol, hormônio relacionado ao estresse, o que impacta negativamente a sensibilidade à insulina e o equilíbrio metabólico como um todo.

Outro fator frequentemente negligenciado é o sono. Dormir pouco ou mal altera hormônios fundamentais para o controle da fome e da saciedade, como a leptina e a grelina, aumentando a vontade de comer e a preferência por alimentos mais calóricos. A privação de sono também eleva o cortisol, prejudica o controle da glicemia e a resposta insulínica, além de intensificar a sensação de cansaço, criando um ciclo de desregulação hormonal difícil de romper.

Isoladamente, um dia de exagero não costuma trazer prejuízos significativos para indivíduos metabolicamente saudáveis. O problema surge quando alimentação desorganizada, consumo frequente de álcool e noites mal dormidas se acumulam por vários dias. Esse efeito cumulativo pode levar ao aumento da inflamação no organismo, à resistência à insulina, ao ganho de peso — especialmente por aumento de adiposidade abdominal — e à piora do bem-estar físico e mental.

Cuidar da saúde metabólica não significa abrir mão do prazer, mas adotar estratégias simples para minimizar os impactos dos excessos. Alternar bebidas alcoólicas com água, respeitar momentos de descanso, evitar exageros consecutivos e retomar a rotina alimentar e de sono o quanto antes são atitudes que ajudam o corpo a se recuperar.

Aproveitar momentos de celebração é importante, mas ouvir os sinais do organismo também faz parte do cuidado com a saúde. O equilíbrio, mais do que a restrição, continua sendo o principal aliado do metabolismo.

Dra. Mariana é endocrinologista no Fetal Care, em Cuiabá-MT.




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