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Opinião
Sábado - 25 de Julho de 2026 às 00:00
Por: Lucas Loureiro

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Existe um tipo de depressão que quase ninguém reconhece: a distimia, hoje chamada oficialmente de transtorno depressivo persistente.

Diferente da depressão “clássica”, que costuma aparecer de forma mais intensa e visível, a distimia é discreta. A pessoa continua trabalhando, cumprindo compromissos, conversando normalmente e respondendo mensagens.

Por fora, tudo parece funcionar.

Por dentro, ela vive em “modo reduzido”: menos energia, menos vontade, menos prazer nas coisas e menos esperança em relação ao futuro.


Justamente por não ter “cara de crise”, a distimia costuma ser confundida com um traço de personalidade — como se a pessoa fosse “naturalmente” mais quieta, mais séria ou menos animada.

Só que isso não é personalidade: é um transtorno de humor crônico, com impacto real na qualidade de vida e que tem tratamento.

Como é diagnosticada?

O critério central é humor deprimido na maior parte dos dias, por pelo menos dois anos seguidos, sem passar mais de dois meses sem sintomas. Além disso, é preciso apresentar ao menos dois destes sinais:

* alterações no sono

* alterações no apetite

* fadiga constante

* baixa autoestima

* dificuldade de concentração ou de tomar decisões

* sensação de desesperança

Isolados, esses sintomas podem parecer leves. Mas, somados ao longo de anos, mudam completamente a forma como uma pessoa vive.

Por que isso importa?

Porque muita gente carrega esse peso durante anos achando que é “só do seu jeito” — e não busca ajuda porque não associa o que sente a uma depressão. Reconhecer a distimia é o primeiro passo para tratá-la.

Se você se identificou com essa descrição, vale conversar com um profissional. Nomear o que se sente é o começo da mudança.

Lucas Loureiro é médico.



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