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Politica Brasil
Sábado - 21 de Outubro de 2006 às 17:43

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O escândalo do dossiê deu hoje um novo gás à campanha eleitoral brasileira, com a revelação de que mais pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva tiveram contato com envolvidos na tentativa de incriminar candidatos da oposição.

Os novos personagens envolvidos no caso são Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula, e José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil. Segundo um rastreamento de ligações telefônicas feito pela Polícia Federal, os dois conversaram com Jorge Lorenzetti, apontado na investigação como o mentor da ação contra a oposição.

Lorenzetti, amigo de Lula e encarregado de preparar os churrascos organizados pelo presidente, também participava da campanha do presidente, como coordenador da "central de risco", um departamento que se ocupava de obter e divulgar informações comprometedoras dos candidatos rivais.

Tanto Carvalho como Dirceu admitiram ter conversado com Lorenzetti por telefone, mas negaram qualquer participação na tentativa de compra do dossiê.

O relatório, que foi confiscado em 15 de setembro pela Polícia Federal, acusava o candidato Geraldo Alckmin e o governador eleito de São Paulo, José Serra, de terem participado de uma fraude no Ministério da Saúde.

Hoje, Alckmin qualificou de "grave" o fato de o chefe do gabinete presidencial ter conversado várias vezes por telefone com Lorenzetti, no mesmo dia em que a Polícia Federal deteve, em São Paulo, três membros do PT com uma mala cheia de dinheiro para pagar pelo relatório.

"Estão surgindo novos fatos, e espero que sejam esclarecidos rapidamente", disse hoje Alckmin, em um ato de campanha em Joinville.

Mais uma vez, Alckmin exigiu explicações sobre a origem dos R$ 1,7 milhão que seriam usados para adquirir o polêmico dossiê. Ele acrescentou ainda que a campanha do PT engana o povo brasileiro, ao afirmar não saber de onde saiu o dinheiro.

"Estão escondendo a verdade do povo com mentiras, omissão e conivência com casos graves. É claro que eles sabem a origem do dinheiro. Tudo indica que é dinheiro da corrupção", afirmou o candidato.

Lula, que hoje participou de um comício em Curitiba, afirmou que "eles (a oposição) sabem que não roubo e nem roubei".

Carvalho disse que, quando soube da detenção dos membros do PT, ligou para Lorenzetti, que até então não estava envolvido no caso, para perguntar sobre o ocorrido.

Dias depois, as pistas levaram até Lorenzetti, que então abandonou suas funções na campanha de Lula e depois saiu do PT.

Além de Carvalho e de Dirceu, que em meados de 2005 renunciou ao cargo de ministro da Casa Civil, o caso do dossiê também envolve outras pessoas próximas a Lula, como Freud Godoy, ex-guarda-costas transformado por Lula em assessor presidencial, e o presidente do PT, Ricardo Berzoini, que este mês se afastou do cargo para não prejudicar a campanha do atual presidente.

Analistas políticos consideram que o caso do dossiê foi um dos fatores que impediram a reeleição de Lula no primeiro turno, em 1º de outubro, como previam as pesquisas. No entanto, novas enquetes mostram que no segundo turno, a ser realizado no próximo dia 29, o escândalo não terá o mesmo impacto.

Todas as pesquisas mostram a subida de Lula nas intenções de voto, com uma vantagem superior a 20 pontos (62% contra 38% de Alckmin), segundo números do Ibope divulgados na sexta-feira.





Fonte: EFE

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