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Internacional
Segunda - 16 de Outubro de 2006 às 12:07

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Banesa Khatun é grata a Muhammad Yunnus, que na semana passada recebeu o Prêmio Nobel da Paz, por ter deixado a miséria absoluta e se tornado uma mulher respeitável e independente, graças aos programas de microcrédito introduzidos há 30 anos por Yunnus em Bangladesh.

Há dez anos, logo depois de se casar, Banesa se viu desesperada, com um marido desempregado e problemas financeiros se acumulando. "Vi minha vida ficando cada vez mais miserável", disse ela no domingo à Reuters na localidade de Basta, 45 quilômetros a norte de Daca, a capital de Bangladesh. "Meu sonho de uma vida doce e amorosa foi quase destroçado."

Mas aí surgiu um raio de esperança. Mulheres de aldeias vizinhas lhe contaram do programa de microfinanças do professor Yunnus, e em menos de um mês ela havia conseguido 2.000 takas (30 dólares) em uma agência do Banco Grameen.

Com esse dinheiro, ela comprou um riquixá para o marido trabalhar e começou uma minúscula criação de frangos. Hoje em dia, pelos padrões da zona rural de Bangladesh, Banesa é rica. "Tenho 27 riquixás, uma granja com 3.000 frangos e um lago para pesca. Aquelas 2.000 takas do Banco Grameen fizeram toda a diferença."

O Comitê Nobel anunciou na sexta-feira a concessão do Nobel da Paz a Yunnus e ao seu Banco Grameen, criado com a idéia de conceder pequenos empréstimos, normalmente a mulheres, para criar emprego e combater a miséria.

"Estamos felizes por o homem que nos trouxe esperança e nos deu uma nova vida ter sido reconhecido globalmente", disse Banesa. "Foi o doutor Yunus que nos deu o dinheiro para que pudéssemos sobreviver."

Julekha Begum ganha a vida vendendo o leite de uma vaca que ela comprou com o empréstimo do Grameen. Sua vizinha Samiran Bibi tem uma lojinha montada do mesmo jeito. Ambas agora têm casa própria, gado e terra para cultivar arroz e legumes.

Histórias semelhantes foram contadas por Rabeya Begum, Razia Begum e outras moradoras de Basta, que no domingo estavam reunidas para pagar prestações dos seus empréstimos.

Os moradores de Basta e de aldeias de todo o país vêm comemorando o Nobel de Yunus com música, dança e distribuição de doces.

Abul Kalam Azad, gerente da agência do Grameen em Basta, disse que há 80 mutuárias na aldeia. "Todas elas conseguiram mudar de vida em poucos anos por meio do uso do microcrédito", disse ele à Reuters.





Fonte: Reuters

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