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Politica Brasil
Quinta - 28 de Setembro de 2006 às 16:14
Por: Thaís Raeli Massauer

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A atual conjuntura política é um dos grandes marcos da história brasileira, mesmo que – neste momento – não seja perceptível a olho nu. Cuiabá é o centro do furacão. Do ladinho tem a Bolívia e essa grande dúvida sobre o gasoduto, também a crise da agricultura, que por mais adormecida que pareça estar, funcionou (ou ainda funciona) como uma “roda da fortuna” para muitos latifundiários que se instalaram em Mato Grosso. Também é a terra da Planam e agora do dossiê tucano.

Lula sabe que é protagonista principal de tal trama. O presidente se compara com os ex-presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart.

Sobre Getúlio, ele lembrou a crise política pela qual o presidente passou antes de se suicidar. Já sobre JK, disse que ele foi acusado de "ladrão" e teve o seu reconhecimento 50 anos depois. A respeito de Jango, lembrou que ele foi derrubado pelo golpe militar de 1964.

O curioso nas coincidências das comparações é a presença do Lacerda. Não se pode negar que o jornalista Carlos Lacerda foi peça chave do jogo adversário nesses governos. Pela Tribuna da Imprensa, tornou-se o principal porta-voz da oposição durante o segundo governo Vargas (1951-1954). Vítima de um atentado em agosto de 1954, no qual foi baleado fatalmente o major da Aeronáutica Rubens Vaz, denunciou na imprensa que o crime havia sido encomendado pelo Palácio do Catete, o que agravou a crise político-militar que teria como desfecho o suicídio do presidente Getúlio Vargas.

Eleito deputado federal em 1954, foi a voz da UDN contra a posse de Juscelino Kubitschek na presidência da República. Em 1964, apoiou o golpe que derrubou Jangô, mas incompatibilizou-se com o regime militar ao ver fracassado o seu plano de chegar à presidência da República.

Dessa vez o Lacerda é outro, não tão heróico, nem tão destemido, mas pode derrubar um presidente, da mesma forma. Hamilton Lacerda, ex-coordenador da campanha de Aloízio Mercadante (PT) ao governo do Estado. Ele admitiu ter feito contato com a revista IstoÉ para oferecer um dossiê contra políticos do PSDB.

Lacerda foi identificado pela Polícia Federal como o responsável por levar o R$ 1,7 milhão a Gedimar Passos e Valdebran Padilha no hotel Íbis, na capital paulista, para a compra do dossiê com denúncias contra integrantes do PSDB. Uma perícia realizada nas gravações do circuito interno do hotel mostra o ex-coordenador de comunicação da campanha de Mercadante com uma mala.

Vivendo o que está acontecendo fica difícil ponderar o quanto é grave a politicagem e esse joguinho de estratégias. Afinal, compra e venda de dossiês é uma prática tão comum no Brasil. Getúlio controlava as informações, criou o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda ) e a censura. Assim só se falava bem do pai dos pobres. Fernando Collor foi uma grande marionete nas mãos da Globo e a revista Veja tinha como seu informante “X”, que investigava as contas Collor, nada mais, nem nada menos que os ex-presidente da Loterj, Waldomiro Diniz. A corrupção no Brasil tornou-se um ciclo vicioso e numa volta aqui e outra ali, acaba-se onde tudo começou ...





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