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Politica Brasil
Sábado - 23 de Setembro de 2006 às 16:47
Por: Onofre Ribeiro

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A semana começou e terminou com o agravamento da crise do dossiê dos petistas x candidatos do PSDB. Na sexta-feira a efervescência estava no limite. Lula falou em golpe de estado, criticou as elites, deu entrevistas e o governo usou todo o seu poder de fogo para desmentir, desqualificar e para desviar as atenções. Até então montado em saltos altos, o presidente admitiu que poderá disputar um segundo turno. Tudo em clima de deboche.

Porém, tudo isso torna-se secundário diante de um fantasma: se reeleito, em primeiro ou em segundo turno, o presidente estará com a governabilidade profundamente comprometida. Terá contra si, reduzida bancada do PT no Congresso Nacional, terá aliados vorazes e predadores do PMDB, a oposição sangrenta do PFL e do PSDB. E terá perdido ao longo da campanha o apoio de setores muito representativos da sociedade brasileira, como as universidades federais, a classe média, os setores econômicos, e terá diminuído muito o seu crédito internacional.

A confusão que está se formando em torno do episódio do dossiê é muito grande. Cada um fala uma coisa e a cada hora surgem mais evidências comprometedoras. E, de novo, mais versões, mas depoimentos e mais queda de gente graúda do PT. E mais deboche!

O presidente Lula tem se safado afastando de si primeiro o PT, depois os auxiliares que não cumpriram bem sua missão. É muito mais grave do que se pode pensar agora, a queda do presidente do PT, Ricardo Berzoini, do comando da campanha da reeleição. É companheiro antigo, conhecedor dos mais escabrosos segredos do partido e das campanhas eleitorais. Foi gestor do “setor de inteligência” do PT nas eleições de 1998 e de 2002. Montou memoráveis dossiês naquelas eleições.

Como ele, José Dirceu, José Genoíno e todos os afastados do convívio da cúpula petista e governamental, estão magoados. Não há risco de falarem. Mas, ao se afastarem do presidente, deixam-no cada vez mais sozinho. Perdeu a sua elite de choque, chamada de “núcleo duro do governo”. Hoje, restam ao presidente Lula figuras apagadas como Guido Mantega, Luis Ducci, um Gushiken desgastado, Jacques Wagner e Tarso Genro. Ninguém governa um país com meia dúzia.

Os companheiros do PT abusaram do poder e tripudiaram sobre os funcionários de carreira dentro da estrutura governamental. O governo teve a coragem de excluir gestores altamente qualificados das diretorias dos Correios e colocar no lugar carteiros sindicalistas. O corpo técnico encolheu e sabotou. Armou e vem armando para sobreviver. O mesmo se deu em instituições importantes como a Embrapa, onde pesquisadores saíram e deram lugar a companheiros sindicalistas que nunca viram um pé de couve plantado.

O presidente não perderá a eleição no primeiro turno. Antes perdesse porque teria um segundo para rediscutir posições. Chegará ao governo para mais quatro anos, sozinho, carregando toneladas de dúvidas. Ele negou nesta semana que sua situação pareça com a de Getúlio Vargas, que depois de estar como ditador por 15 anos, não sobreviveu à democracia. Ou Nixon, nos Estados Unidos, que caiu por conta de bisbilhotagens do Partido Republicano ao Partido Democrata. Os tempos são outros, mas as verdades históricas são semelhantes. A lição é: não adianta a democracia e a liberdade, se ela é regida pelo deboche, como vem fazendo o PT desde o primeiro escândalo em 2003.

Onofre Ribeiro é articulista deste jornal e da revista RDM





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