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Cidades/Geral
Quinta - 03 de Março de 2005 às 07:14
Por: Márcia Oliveira

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O superintendente de Política Indígena de Mato Grosso, Idevar Sardinha, protocola hoje no Ministério Público Federal (MPF) um dossiê contra a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) de Mato Grosso, no qual relata, com texto e fotos, a precariedade da oferta de Saúde que encontrou em seis aldeias xavantes, que visitou em dezembro de 2004. Sardinha afirma que também encaminhará o documento para as várias comissões de Direitos Humanos no Estado.

O superintendente garante que um relatório, prestando informações e oferecendo ajuda, foi encaminhado para a Funasa antes do registro das cinco mortes de crianças xavantes, por desnutrição, no município de Campinápolis. "Onde fui, os xavantes viviam e vivem de forma precária, com a presença constante da fome e sem receber a visita de agentes de saúde há mais de ano. Mostro no dossiê que o que fizemos foi desconsiderado", informou Sardinha.

No documento, o superintendente também junta respostas da Funasa à alguns dos ofícios que a Superintendência lhes encaminhou. "Num deles, que nos mandaram em setembro do ano passado, o órgão diz que a questão da saúde indígena não é nossa atribuição", lembra Sardinha que em seguida ironiza: "Já naquela época eles estavam em condições de recusar nossa ajuda". O superintendente acredita que o órgão federal foi omisso no atendimento dos índios e que o sistema de identificação e tratamento das doenças adotado não é eficiente. "Venho tentando, não é de hoje, formar parcerias com eles, mas não temos conseguido. Com a transferência do atendimento de saúde indígena para as ongs, eles ficam distantes do problema e perdem o foco. Isso não funciona, eles tem que ter gente no próprio quadro para fazer o trabalho", afirmou o superintendente.

O coordenador estadual da Funasa, Jossy Soares, afirmou que hoje deve divulgar o número exato de crianças xavantes internadas com problemas de desnutrição. Esta semana foi divulgado que 20 delas estariam com o problema, mas a assessoria de imprensa do órgão, em Brasília, contesta a informação. Seriam 35 crianças xavantes internadas em Campinápolis, porém nenhuma delas por desnutrição.

Ainda segundo a assessoria, o número exato de mortos por desnutrição no município seriam cinco e não seis como foi divulgado.




Fonte: A Gazeta

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