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Cultura
Quinta - 17 de Junho de 2004 às 11:24

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Depois de quatro anos sem cantar no Brasil, o cantor cubano Ibrahim Ferrer, 77, volta aos palcos do país nesta quinta-feira (17) com uma novidade: apresentar o talento, garantido por ele próprio, do pianista Robertito Fonseca, que seria uma espécie de substituto ao posto do amigo cubano Ruben González (1920-2003). Ferrer fará uma série de quatro shows --dois em São Paulo, um em Belo Horizonte e um no Rio de Janeiro-- em que apresentará o repertório de seu mais recente CD, "Buenos Hermanos", lançado no ano passado pela Warner Music. Foi do amigo de longa data que Ferrer se lembrou no início da semana, quando chegou ao Brasil e falou com a imprensa. Ele disse ter ficado muito sentido com a perda de González, de quem era muito amigo. "Tinha um carinho especial por ele, era um irmão. Perdemos duas figuras importantes em Cuba", disse, se referindo também ao músico e companheiro do projeto "Buena Vista Social Club" --que projetou os músicos ao mundo--, Compay Segundo, a quem não era tão ligado. "Nos conhecemos no dia da gravação do CD para o projeto 'Buena Vista' e depois só pisamos no mesmo palco, apesar de ele ser da mesma cidade que eu, Santiago de Cuba", afirmou. Em seus shows, Ferrer sempre faz uma homenagem a Ruben González. Mas desta vez ele adianta que fará uma surpresa ao apresentar Roberto Fonseca, pianista de 29 anos que segue na turnê, cuja orquestra traz nomes de referência da música cubana como Cachaíto López e Manuel Gálban, entre outros. O "time" não é o mesmo que gravou com Ferrer o CD. No trabalho, em que o intérprete se orgulha de poder cantar novamente alguns boleros como "Perfume de Gardênias", participam também amigos como Chucho Valdés, Flaco Gimenez e Ry Cooder --que também é produtor do disco. Foi Cooder quem levou o cancioneiro cubano ao cinema pelas mãos do alemão Wim Wenders. "Nós não descobrimos a música cubana. Ela estava escondida, abafada, e nós a colocamos de novo à vista do público", disse, ao revelar também que, durante as filmagens do documentário "Buena Vista Social Club", ninguém sabia que aquilo se transformaria num longa-metragem. Para o intérprete, a escalação de novos músicos para a turnê faz com que a apresentação ao vivo tenha novos elementos. Cuba Ganhador de um Grammy e de um recente Grammy Latino (2003) por "Buenos Hermanos", Ferrer vem ao Brasil com a sensação de liberdade. É que nos Estados Unidos, ele não pôde entrar para receber os prêmios. "O primeiro eles mandaram lá para casa; o segundo, ainda não. Não me importa que eu não possa ir lá receber, mas que me mandem o prêmio", afirmou, rindo. Das duas vezes em que foi premiado, ele não obteve visto de entrada nos EUA, devido ao embargo norte-americano à ilha comandada por Fidel Castro, de quem Ferrer é fervoroso seguidor. "Por su gusto nasce, por su gusto muerre", disse, ao relembrar de dissidentes do sistema castrista. "Gostaria de poder ir lá receber os prêmios para retribuir o carinho do público que gosta de mim. Fico mal, mas passa."

O show

O repertório do espetáculo que Ferrer traz ao Brasil não deve fugir muito do CD. "Boquiñeñe", "Buenos Hermanos", "La Música Cubana" e "Guaguancó Callejero" são certezas no set-list, que não foi divulgado pela produção.

Segundo o intérprete, o show é uma novidade no Brasil porque, quando se apresentou em 2000 com os companheiros cubanos, fazia somente um número no palco. "Agora, é um show só meu, com temas que vocês não conhecem ainda", disse.

Os fãs brasileiros, no entanto, esperam que ele repita a performance de "Dos Gardênias" nos palcos em que ele há tanto tempo não pisava.





Fonte: 24 HorasNews

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