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Cultura
Sábado - 03 de Abril de 2004 às 11:28
Por: Letícia Helena

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Com um cabo eleitoral do porte do ministro da Cultura, Gilberto Gil, o samba virou favorito de uma lista que só faz crescer: a de bens imateriais candidatos ao tombamento. Gil não faz por menos — quer que seu afilhado receba, da Unesco, o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Mais modestas, pelo menos outras 13 manifestações artísticas, religiosas e gastronômicas do Brasil disputam no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a chance de receber a consagração nacional antes de sonhar com a chancela da Unesco.

E nem se trata de falta de ambição. A pintura corporal dos índios Wajãpi, do Amapá, foi tombada pelo Iphan antes de se candidatar ao título da Unesco. Acabou se tornando o primeiro Patrimônio Cultural da Humanidade. O samba pode até seguir o mesmo tom de campanha — o tombamento nacional daria mais peso ao dossiê que será enviado à Unesco.

— A característica mais importante para a Unesco é a singularidade. Ou seja, tem que ser uma coisa realmente única e especial para merecer o título de Patrimônio da Humanidade — explica o secretário de articulação institucional do Ministério da Cultura, Márcio Meira.

O mesmo critério vale para a análise do Iphan. Tanto que, desde agosto de 2000, quando um decreto regularizou o tombamento, apenas dois bens imateriais foram preservados: a pintura Wajãpi e o trabalho das paneleiras de Goiabeiras (ES). A lista deve crescer, ainda mais porque o atual presidente do Iphan, Antônio Arantes, dirigia, justamente, o departamento de bens imateriais.

— Este ano teremos mais verbas — diz ele.

Com dinheiro em caixa, os candidatos se animam. A lista inclui desde manifestações conhecidas, como o Círio de Nazaré, o jongo da Serrinha e o Festival de Parintins, a quitutes — o acarajé e o queijo do Serro, de Minas, também disputam o tombamento. A obra de Patativa do Assaré e o toque dos sinos de São João Del Rey são outros candidatos.

Alguns bens, porém, são pouquíssimo conhecidos. É o caso do talian, um dialeto vêneto falado em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Os padrinhos da candidatura, os locutores da Associação dos Apresentadores de Programas de Rádio Talian do Brasil, têm um fortíssimo argumento para justificar o pedido: embora nascido na Itália, o dialeto só sobrevive no Sul do país. O tombamento serviria para ajudar a preservar a herança da imigração italiana.




Fonte: Globo Online

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