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Agronegócios
Segunda - 29 de Março de 2004 às 18:02
Por: Nelson Francisco

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Índios das etnias cinta-larga e yawalapití querem cultivar arroz, milho e feijão em suas terras com o apoio e assistência técnica do Governo do Estado. Só em quatro aldeias - Rio Capivara, Serra Morena, Rio Furquim e Vinte e Um -, os cinta-larga querem desenvolver cultivares numa área de mil hectares (250 hectares em cada aldeia). Por sua vez, os yawalapití, pretendem desenvolver projeto idêntico numa área de 150 hectares no Parque Nacional Indígena do Xingu, no estremo Norte de Mato Grosso.

As propostas dos índios foram apresentadas na tarde desta segunda-feira (29.03), em reunião ocorrida na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural (Seder). Na ocasião, os dois grupos indígenas sinalizaram interesse em introduzir lavouras mecanizadas nas áreas com o apoio de órgãos do Governo, entre os quais a Seder e a Empresa Mato-grossense de Pesquisa e Extensão Rural (Empaer), Secretaria de Estado de Transportes (Seet) e a Fundação de Promoção de Social (Prosol).

O secretário-adjunto de agricultura familiar, Jilson Francisco da Silva, informou que o Estado vai ajudar os índios fazendo a doação de sementes para os cultivares e calcário para correção do solo na época do plantio. "Está tendo uma abertura muito grande por parte do Governo para ajudar os índios. Os índios podem desenvolver vários projetos como piscicultura e apicultura, dentre outros", disse Jilson.

Segundo ele, além do apoio do Estado, os índios podem ser incluídos no Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf). Os índios, cita o secretário, podem ser beneficiados conforme consta no grupo B, um dos cinco grupos para beneficiários do crédito. "Agricultores familiares, inclusive remanescentes de quilombos, trabalhadores rurais e indígenas com renda bruta familiar anual de até R$ 2 mil, excluídos os benefícios da previdência rural e programas sociais de Governo", assinala o regulamento do Pronaf. "Falta é ousadia para buscar esses recursos", argumentou o Superintendente de Assuntos Indígenas (órgão ligado à Casa Civil), Idevar José Sardinha.

Além da doação de sementes e calcário, informou Jilson Francisco, será formada uma comissão interdisciplinar composta pela Casa Civil, Prosol e Fundação Nacional do Índio (Funai), para acompanhar os índios.

Durante a reunião, o cacique Ricardo Vieira Cinta Larga, o presidente da Associação Norte Mato-grossense, informou, por meio de ofício, que há na prefeitura de Juína (734 km ao Norte de Cuiabá) um trator Komatsu D50 e um caminhão Volkswagen que foram apreendidos em atividades irregulares no Parque Indígena do Aripuanã, onde vivem três mil índios em uma área de 1,6 milhão de hectares, localizada entre os estados de Mato Grosso e Rondônia. "Não sabemos porque razão a prefeitura os recolheu a seu pátio e existe a possibilidade desse equipamento ser colocado à nossa disposição para a implementação dessas lavouras", disse Ricardo.

Conhecido no exterior pela sua militância, o cacique Aritana Yawalapití, sobrinho do cacique Juruna, aposta na parceria com o Estado para auxiliar os índios na assistência técnica e lavoura mecanizada. "Os índios querem trabalhar e precisamos apenas de mais apoio e assistência", comentou Aritana.

Neste domingo (28.03), os índios cinta-larga visitaram a Estação Experimental de Piscicultura da Empresa Mato-grossense de Pesquisa e Extensão Rural (Empaer), em Nossa Senhora do Livramento (42 quilômetros de Cuiabá). O objetivo da visita foi conhecer as instalações dos tanques de criame de alevinos e matrizes das espécies existentes no campo experimental e a infra-estrutura de montagem dos tanques e lagoas, que serão futuramente, implantadas nas aldeias. Os índios estiveram acompanhados pelo geólogo José Seixas, responsável pelos Projetos de Desenvolvimento Sustentável da Superintendência de Política Indígena.




Fonte: Redação/Secom-MT

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