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Meio Ambiente
Quarta - 03 de Outubro de 2012 às 15:51

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Apesar da fama de impiedosos devoradores de gente, os tubarões estão sendo varridos dos mares. Um dos motivos é o apetite chinês por suas nadadeiras, servidas como iguaria que simboliza distinção social. Além disso, a dificuldade em discriminar espécies a olho nu faz com que as espécies ameaçadas de extinção venham parar como postas de cação no nosso prato. Das 169 espécies de tubarões encontradas na costa brasileira, 36% estão ameaçadas e duas já foram extintas.

Uma ferramenta genética desenvolvida por biólogos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu está revelando a dimensão do problema no Brasil e pode ser peça-chave de estratégias de conservação. Os estoques mundiais de elasmobrânquios - como são chamados os tubarões e suas primas, as arraias - caíram cerca de 90% nos últimos 30 anos.

Uma série de apreensões feitas nos últimos anos pelo Ibama no Pará (a maior delas, em maio passado, apreendeu 7,7 toneladas de nadadeiras), serviu de fonte de amostras para os pesquisadores. "Para as autoridades brasileiras, eles diziam que o carregamento continha apenas barbatanas de tubarão-azul", conta o biólogo Fernando Fernandes Mendonça, pesquisador do Laboratório de Biologia e Genética de Peixes da Unesp de Botucatu. "Mas as embalagens para exportação diziam que ali havia também barbatanas de mako e de tubarão-raposa."

As análises genéticas revelaram um quadro ainda pior: o carregamento era um saco de gatos, com seis espécies diferentes (embora pouco mais da metade fosse, de fato, de tubarão-azul). Pior ainda: mais de 10% da amostra correspondia ao tubarão-martelo e ao tubarão-raposa - ambas as espécies não podem ser capturadas no País.

Arraias
A situação das arraias no Brasil é quase tão complicada quanto a dos tubarões. A equipe de Botucatu foi a campo para ver se a proteção oficial à arraia-viola, Rhinobatos horkelii, classificada como criticamente ameaçada (o último degrau de risco antes da extinção na natureza) estava surtindo efeito. De 267 amostras de carne de cação coleta em polos pesqueiros da Bahia ao Rio Grande do Sul, mais de metade era dessa espécie. O problema é que a R. horkelii tem duas "sósias" naturais - a R. percellens e a Zapteryx brevirostris. Pouca gente seria capaz de diferenciá-las, e suas distribuições geográficas se sobrepõem.

Com informações da Unesp Ciência





Fonte: Terra

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