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Meio Ambiente
Sexta - 13 de Novembro de 2020 às 11:54
Por: Diário de Cuiabá

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No Estado de Mato Grosso, ao longo deste ano, já foram registrados 46.159 focos de calor
No Estado de Mato Grosso, ao longo deste ano, já foram registrados 46.159 focos de calor

Em um ano em que o meio ambiente foi castigado pela intensa estiagem e pelas queimadas que devastaram cerca de 30% do Pantanal, o período proibitivo para uso de fogo em propriedades rurais determinado pelo Governo de Mato Grosso terminou na quinta-feira (12).

No Estado, ao longo deste ano, já foram registrados 46.159 focos de calor, o que representa um aumento de 54% se comparado a 2019 (29.878 focos). Do total de ocorrências, 33.55% (15.346) foram nos últimos cinco meses, ou seja, durante a proibição.

Apenas no bioma pantaneiro, que se estende pelo vizinho Mato Grosso do Sul, esse incremento é de 131%, conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Já na Amazônia, que também abrange parte do território mato-grossense, os focos saltaram 21%, saindo de 78.937, no ano passado, para 95.488 neste ano. No Estado, o período proibitivo foi antecipado e começou em 1º de julho, por conta da estiagem que favorece a incidência de incêndios florestais de grandes proporções.

Mas, de acordo como boletim do Inpe, dos mais de 46 mil focos, 15.346 foram detectados na época de proibição. O pico foi em setembro, quando foram contabilizados 7.704 pontos de queimadas no território mato-grossense.

Após outubro, com 3.518 ocorrências e, nos primeiros 11 dias deste mês, são 982 focos. O município pantaneiro de Poconé (110 quilômetros de Cuiabá) segue na liderança com 5.542 focos seguido de Barão de Barão de Melgaço (3.725).

O Pantanal foi o bioma mais atingido pela intensa seca e destruição provocada pelos incêndios florestais dos últimos cerca de 50 anos.

Pesquisadores ainda avaliam o tamanho dos danos provocados pelas chamas e as formas de recuperar a fauna e a flora do bioma. Um dos trabalhos é tentar identificar os locais onde as sementes das plantas permanecem viáveis sob o solo, e onde elas foram destruídas.

Em entrevista à TV Globo, a pesquisadora da Embrapa Pantanal, Sandra Aparecida, reforçou que importante buscar formas de recuperação do ecossistema. "Nós não sabemos ainda (onde houve destruição das sementes). Depende muito da quantidade de combustível e o tempo de residência desse fogo. Se não tiver esses bancos de sementes, essas riquezas, não adianta chover. Se realmente foi afetado, não vai ter esse retorno".

A reportagem do DIÁRIO procurou a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) para obter uma posição sobre possível prorrogação ou não da proibição das queimadas, mas não obteve um retorno até o fechamento desta matéria.

Mas, para que o cenário não se repita, há uma semana, o governo do Estado informou que o meio ambiente receberá atenção especial por meio do programa “Mais MT”.

Para tanto, a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) contará com investimentos de R$ 156 milhões, que serão destinados para ações preventivas de combate aos incêndios florestais, desmatamento ilegal, projetos de zoneamento e regularização de imóveis rurais (CAR), assim como a execução de planos de manejo em unidades de conservação.

“Todas as atividades que a secretaria entrega para os cidadãos serão melhoradas com os investimentos do programa Mais MT. As nossas unidades de conservação também receberão recursos para a sua implementação. É importante o cidadão entender que para uma unidade de conservação cumprir o seu papel, ela precisa estar oficialmente implementada”, afirmou a secretária de Estado de Meio Ambiente (Sema), Mauren Lazzaretti.

Do investimento previsto, R$ 45,8 milhões serão aplicados no eixo “Desmatamento ilegal zero”, que será responsável por ampliar o monitoramento e a fiscalização eficiência nas autorizações legais eficiência na responsabilização. O investimento será de R$ 45,8 milhões. No item “MT é diferente” estão previstos R$ 31 milhões em ações de combate às queimadas ilegais, ações de conservação ambiental, divulgação dos ativos ambientais, plano estruturado de comunicação ambiental. Outros recursos de R$ 4,2 milhões serão utilizados para estudos e aprovação de projetos de zoneamento socioeconômico e ecológico.

“Este investimento vem preparando o Estado para esta atividade que não se realizou nos últimos 20 anos. Será um marco, um diferencial para a política ambiental em Mato Grosso. A concretização do zoneamento ambiental é essencial para que a gente possa utilizar de forma adequada nossos recursos naturais - conciliando atividade econômica, social e meio ambiente”, concluiu a secretária.

O programa “Mais MT” conta com recursos na ordem de R$ 9,5 bilhões em investimentos públicos durante a gestão (2019-2022), que serão destinados em áreas como o meio ambiente, saúde, infraestrutura e habitação.

No Estado, a proibição foi antecipada e começou no dia 1º de julho passado. Já em outubro, o Governo de Mato Grosso publicou o decreto 659/2020 estendendo a medida até esta quinta-feira.

O ato normativo está em consonância com o decreto federal n 10.524/2020. A prorrogação levou em consideração as condições climáticas severas que favorece a propagação de incêndios florestais de grandes proporções.





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