Área tem jornada exaustiva, violência e outros desafios diários "Muitos profissionais relatam que não possuem sequer o direito de adoecer”, denuncia conselho
Para a presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-MT, Bruna Santiago, é necessário mudar a visão que se tem sobre os serviços de enfermagem.
“Quando falamos de enfermagem, as pessoas ainda enxergam apenas o cuidado, a dedicação e o compromisso desses profissionais”, avalia ela.
“Quem vive a profissão por dentro sabe que nossa realidade vai muito além disso”, alerta.
“Sabemos que os desafios diários são enormes”, acrescenta.
Entre os maiores desafios, Bruna Santiago cita a jornada de trabalho exaustiva, com plantões consecutivos e remuneração, muitas vezes, incompatível com a responsabilidade assumida.
De acordo com a presidente do Coren-MT, mesmo anos depois da aprovação em lei, há resistência para efetivação dos valores estabelecidos como piso salarial.
“Isso transforma a busca pelo respeito à lei uma luta diária”, observa.
“Lutar por reconhecimento e valorização é cansativo”, assinala.
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Em novembro deste ano, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) lançou, em nível nacional, a campanha "Marcas da Enfermagem"
Em um cenário de exercício da profissão que combina desvalorização, jornada exaustiva, falta de condições de trabalho em muitos ambientes, a Síndrome de Burnout deixou de ser exceção, segundo a presidente do Coren-MT.
“Passou a ser uma realidade cada vez mais constante entre os profissionais de Enfermagem”, reforça Bruna Santiago.
Vale lembrar que essa síndrome é um distúrbio emocional grave, causado por estresse crônico no trabalho.
“A estrutura inadequada compromete não apenas a saúde do trabalhador, mas também a qualidade da assistência prestada à população”, alerta ela.
Bruna reclama que a Enfermagem sustenta o sistema de Saúde, mas, às vezes, não recebe o respeito, a visibilidade e as condições de trabalho que merece.
VIOLÊNCIA - Neste ano, Mato Grosso registrou 22 casos de violência contra profissionais da área.
“Agressões verbais, psicológicas e físicas contra esses profissionais têm se tornado cada vez mais frequentes”, avalia a presidente.
“Não é um fato isolado, mas um problema real, constante e recorrente”, completa.
Ela cita, como episódio chocante, o que ocorreu em Várzea Grande, quando um vereador invadiu uma unidade de saúde.
“Á luz da contemporaneidade, muitos profissionais relatam que não possuem sequer o direito de adoecer”, denuncia a presidente.
Quando apresentam atestado médico, acabam se tornando alvo de deboche e de desrespeito, segundo ela.
Em novembro deste ano, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) lançou, em nível nacional, a campanha "Marcas da Enfermagem".
O lema é: Violência contra a Enfermagem, não normalize, denuncie!
De acordo com o Cofen, levantamento realizado em hospitais públicos e divulgado, em 2024, pela Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, demonstrou que 88,9% dos enfermeiros, técnicos e auxiliares já sofreram algum tipo de violência no trabalho.
Os números estão assim divididos: abuso verbal (38%), assédio moral (25,4%) e violência física (11%).

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