Santuário de Elefantes de MT denuncia acusações falsas e manipulação Nota foi publicada como resposta à decisão da Secretaria de Meio Ambiente de suspender temporariamente a entrada de novos elefantes, após a morte das elefantas Pupy e Kenya entre outubro e dezembro de 2025.
O Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães (MT), se posiciounou nas redes sociais, nesta quarta-feira (7), e afirmou que a decisão da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) de suspender temporariamente a entrada de novos elefantes foi “apressada” e tomada sob pressão de informações falsas e campanhas de descredibilização. A medida foi anunciada após a morte das elefantas Pupy e Kenya entre outubro e dezembro de 2025.
Na nota, o santuário declarou que vem sendo alvo, há anos, de manipulações de imagem e alegações negativas sem fundamento, que teriam se intensificado após a morte das elefantas. Segundo o SEB, essas acusações influenciaram diretamente a decisão do órgão ambiental.
“O que vemos é um cenário em que mentiras e narrativas negativas são mais facilmente aceitas do que fatos positivos”, afirmou a instituição.
Santuário de Elefantes em Chapada dos Guimarães (MT). – Foto: Reprodução/Redes sociaisDe acordo com o SEB, a suspensão da licença não afeta os elefantes que já vivem no santuário, mas impede temporariamente a chegada de novos animais que aguardam transferência. O espaço reforçou que recebe inspeções anuais da própria Sema e que sempre colaborou integralmente com os processos de fiscalização.
Ainda segundo o santuário, para responder à denúncia, foi exigida a apresentação de um volume de documentação e relatórios médicos que supera o padrão aplicado a qualquer outra instituição de cuidado animal na América do Sul.
O Primeira Página entrou em contato com a Sema, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Relatório falso e retratação de comitiva argentina
Um dos pontos centrais do posicionamento do SEB envolve uma visita realizada por uma comitiva argentina, formada por políticos, representantes de agências e do setor zoológico. Segundo o santuário, o grupo foi até o local após a disseminação de boatos de que elefantas mantidas ali estariam mortas.
O SEB afirmou que, após a visita, a comitiva redigiu um relatório com informações falsas e, posteriormente, foi obrigada a se retratar. Mesmo assim, de acordo com o santuário, integrantes do grupo continuam divulgando acusações consideradas “absurdas”.
Entre elas, estaria a alegação de que todas as elefantas do santuário estariam mortas e que a instituição fingiria que elas estão vivas para obter lucro financeiro. O SEB rebateu dizendo que não recebe qualquer financiamento governamental e que seus documentos financeiros e institucionais são públicos e estão disponíveis para verificação.
Elefantes chegaram com saúde comprometida, diz santuário
No comunicado, o SEB também afirmou que nenhuma das elefantas transferidas de zoológicos chegou ao local com histórico adequado de cuidados médicos. Segundo a instituição, não havia registros completos de exames, testes de tuberculose, tratamentos nas patas ou diagnósticos prévios.
No caso da elefanta Kenya, o santuário afirmou que não existiam registros anteriores de avaliações clínicas detalhadas ou exames laboratoriais. Ainda assim, segundo o SEB, entidades do setor zoológico passaram a questionar os cuidados oferecidos após a transferência.
Para o santuário, responsabilizá-lo pela morte de elefantas idosas e com histórico de décadas de negligência é uma distorção. “É como culpar uma instituição de cuidados paliativos pela morte de alguém que chegou aos 80 anos em estado terminal”, comparou.
Ação judicial e pedido de investigação
Santuário de Elefantes Brasil afirmou que não recebe qualquer financiamento governamental. – Foto: Rogério AssisO SEB informou que já acionou advogados para adotar medidas legais contra pessoas e instituições que, segundo ele, disseminam informações sabidamente falsas. Além disso, lançou uma petição pedindo que órgãos reguladores, como Ibama e a própria Sema, investiguem mortes de elefantes ocorridas em zoológicos com o mesmo rigor aplicado ao santuário.
Segundo a instituição, um dos grupos envolvidos na denúncia é a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB). O santuário afirmou que havia se reunido recentemente com representantes da entidade para discutir transparência e possíveis parcerias, mas que, ainda assim, a associação optou por apoiar ações que resultaram na suspensão da licença.
O Santuário de Elefantes Brasil reforçou que apoia investigações e fiscalização rigorosas e que vê o momento como uma oportunidade para ampliar o debate sobre os padrões de cuidado oferecidos a elefantes no Brasil.
“Acreditamos que uma análise regulatória bem informada pode expor não apenas a complexidade do cuidado que oferecemos, mas também a negligência prolongada que muitos desses animais sofreram antes de chegar aqui”, afirmou.
Segundo o SEB, mais transparência beneficia não apenas os órgãos reguladores, mas principalmente os elefantes e todos que atuam para elevar os padrões de bem-estar animal.
As elefantas Pupy e Kenya. – Foto: Santuário de Elefantes Brasil
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