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Agronegócios
Sábado - 24 de Janeiro de 2026 às 06:28
Por: Kátia Krüger e Jolismar Brun/Primeira Pagina

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Além de estar presente no prato do brasileiro, a tilápia (Oreochromis niloticus) também vem ganhando espaço longe da cozinha e no coração do agronegócio sustentável. Em Juscimeira (MT), o que antes seria descartado agora tem ganhado outra solução.

A carcaça do peixe, que sobra após a retirada do filé, está sendo transformada em fertilizante orgânico que pode ser usado em lavouras de soja, milho, algodão e cana-de-açúcar.

Resto de tilapia vira fertilizante emMT foto TVCAFábrica transforma restos de tilápia em fertilizante agrícola orgânico em MT. – Foto: +Agro/TVCA

O processo

O processo começa em um ambiente de rigoroso controle sanitário. A produção acontece com temperatura mantida abaixo de – 5 °C, justamente para evitar qualquer risco de contaminação. As carcaças chegam de frigoríficos da região e ficam armazenadas em câmaras frias até o início do processamento.

Primeiro, as carcaças seguem por uma esteira até um moinho, onde são trituradas. Em seguida, o material vai para um reator químico. É ali que acontece a mágica: a proteína do peixe é quebrada e convertida em aminoácidos, moléculas orgânicas essenciais conhecidas como os “blocos de construção” das proteínas.

Fertilizante a base de tilapia foto TVCAReator onde restos da tilápia são transformados em aminoáciados. – Foto: +Agro/TVCA

Em outra etapa, os ossos são separados dos restos de carne do peixe. “Nessa etapa ocorre a separação dos ossos e do aminoácido, que é um líquido. Esse líquido segue para outro reator, onde recebe aditivos e se transforma no fertilizante”, detalha Ribeiro.

E nem os ossos ficam de fora. Eles são reaproveitados na produção de farinha de ossos, utilizada, por exemplo, na fabricação de ração animal.

A produção da espécie em MT

O presidente da Associação Brasileira de Piscicultura, Francisco Medeiros, explica que a tilapicultura em Mato Grosso precisa ser analisada sob dois pontos de vista. “Na tilapicultura de Mato Grosso, a gente tem que analisar sobre duas perspectivas: a perspectiva do setor produtivo, do produtor, e a outra do varejista”, afirmou.

Segundo Medeiros, pelo lado do varejo, o cenário é positivo. “A perspectiva varejista está indo muito bem. Se você for à maioria das redes de supermercados, vai encontrar disponibilidade de filé de tilápia, posta de tilápia e outros produtos para consumo, geralmente oriundos da região Sudeste e da região Sul do Brasil”, destacou.


Já na visão do produtor, o setor ainda está em fase inicial. “Somente agora, em 2020 e 2021, tivemos uma regularização da questão ambiental, e hoje estamos passando por um processo de necessidade de industrialização”, explicou.

A inovação vai atuar diretamente na cadeia produtiva da tilápia, espécie de água doce mais consumida no Brasil. Foto: Divulgação.Produção de tilápia ainda é tímida em Mato Grosso. – Foto: Divulgação.

Ele ressaltou que, apesar de o estado ter mais de 20 frigoríficos com serviço de inspeção, poucos processam a tilápia.

“Sem o frigorífico, a produção fica prejudicada, porque o principal produto não é o peixe fresco, é o filé.” Para Medeiros, o movimento já começou, mas o avanço deve ser gradual. “Veremos nos próximos três a cinco anos o desenvolvimento do setor produtivo; por enquanto, ainda é muito inicial.”





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