Rodovias de Mato Grosso possuem 95 pontos críticos, aponta CNT Levantamento nacional mostra redução de problemas nas estradas, mas Mato Grosso segue acima de estados como SP e PR e enfrenta desafios em vias públicas.
Mato Grosso registrou 95 pontos críticos em rodovias em 2025, segundo dados da Pesquisa CNT de Rodovias, divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). O levantamento avaliou 7.156 quilômetros de estradas no estado, resultando em uma densidade de 1,3 ponto crítico a cada 100 quilômetros percorridos.
Os pontos críticos são problemas graves na estrada, como buracos grandes, erosões, quedas de barreira e pontes danificadas, que afetam o fluxo do tráfego e aumentam o risco de acidentes. Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), essas situações também elevam o custo do transporte, com mais consumo de combustível e gastos com manutenção dos veículos.
🔎 O estudo não informa quais tipos de ocorrências predominam em cada estado.
Cenário nacional
Mato Grosso registra 95 pontos críticos em rodovias em 2025. – Foto: Secom-MTA Pesquisa CNT de Rodovias percorreu, em 2025, 114.197 quilômetros em todo o país, incluindo rodovias federais pavimentadas, principais estradas estaduais e trechos concedidos à iniciativa privada. No país, foram identificados 2.146 pontos críticos, uma queda de 12,3% em relação ao ano passado. Em média, o motorista brasileiro encontra um ponto crítico a cada 56 quilômetros rodados.
Em Mato Grosso, a situação é melhor do que em estados como Acre e Roraima, que lideram o ranking de problemas, mas ainda distante de referências positivas, como Distrito Federal, onde há apenas um ponto crítico a cada cerca de 500 quilômetros.
Mato Grosso do Sul também se destaca com apenas 2 pontos críticos e uma densidade de 0,04 ocorrência a cada 100 km.
Estados com mais pontos críticos nas rodovias em 2025
Ranking por unidades da federação com base na Pesquisa CNT de Rodovias. Dados organizados em ordem decrescente de ocorrências.
| UF | Pontos críticos | Extensão pesquisada (km) | Densidade (a cada 100 km) |
|---|---|---|---|
| MA | 485 | 4.724 | 10,3 |
| AC | 248 | 1.355 | 18,3 |
| RR | 212 | 1.159 | 18,3 |
| PA | 163 | 4.453 | 3,7 |
| AM | 141 | 989 | 14,3 |
| MG | 128 | 15.557 | 0,8 |
| MT | 95 | 7.156 | 1,3 |
| RS | 79 | 8.813 | 0,9 |
| BA | 66 | 9.302 | 0,7 |
| TO | 62 | 3.579 | 1,7 |
| CE | 61 | 3.773 | 1,6 |
| PE | 60 | 3.189 | 1,9 |
| PI | 46 | 4.147 | 1,1 |
| RJ | 35 | 2.649 | 1,3 |
| GO | 27 | 7.684 | 0,4 |
| SC | 25 | 3.554 | 0,7 |
| SP | 21 | 10.970 | 0,2 |
| AP | 20 | 545 | 3,7 |
| RN | 16 | 1.883 | 0,8 |
| PR | 12 | 6.601 | 0,2 |
| SE | 11 | 653 | 1,7 |
| ES | 10 | 1.743 | 0,6 |
| AL | 8 | 841 | 1,0 |
| RO | 8 | 1.901 | 0,4 |
| PB | 7 | 1.782 | 0,4 |
| DF | 1 | 456 | 0,2 |
| MS | 2 | 4.739 | 0,04 |
Fonte: Confederação Nacional do Transporte (CNT) — Pesquisa CNT de Rodovias 2025.
A CNT destaca que estados com maior presença de rodovias concedidas à iniciativa privada tendem a apresentar melhores resultados. Em todo o país, estradas sob gestão privada registram, em média, um ponto crítico a cada 430 km, enquanto nas rodovias públicas o problema aparece a cada 40 km.
Mesmo com a redução no número total de ocorrências, apenas 1,6% dos pontos críticos no Brasil estavam em obras durante o levantamento. Para a CNT, isso mostra que muitos problemas continuam sem solução definitiva e acabam se repetindo ano após ano.
Para resolver todos os pontos críticos mapeados em 2025, a entidade estima que seriam necessários R$ 3,4 bilhões em investimentos em todo o país. O valor é menor do que o estimado em 2024, mas ainda considerado alto diante das limitações orçamentárias.
Buracos, erosões e falta de sinalização nas rodovias lideram o ranking
Segundo o levantamento, os chamados “buracos grandes” concentram a maioria das ocorrências, seguidos por erosões na pista, que juntas representam mais de 90% dos pontos críticos registrados nas rodovias avaliadas.
Esses problemas são classificados como situações atípicas que interferem no tráfego e aumentam o risco de acidentes, além de elevar os custos operacionais do transporte. De acordo com a CNT, quando não recebem reparo imediato ou sinalização adequada, essas ocorrências podem se agravar com o tempo, especialmente em períodos de chuva e de tráfego intenso de veículos pesados.
O estudo também aponta que a maior parte dos pontos críticos no país não possui sinalização adequada, o que dificulta a reação dos motoristas e amplia os riscos à segurança viária. No momento da coleta, 88,0% das ocorrências identificadas no país não tinham nenhum tipo de sinalização. Apenas 3,0% estavam adequadamente sinalizados, e 9,0% apresentavam sinalização considerada deficiente.
A entidade destaca que, mesmo quando a correção definitiva não é feita de imediato, a sinalização é considerada uma medida emergencial essencial para reduzir acidentes até que as obras sejam executadas.
Em um estado como Mato Grosso, onde o transporte rodoviário é essencial para o escoamento da produção agrícola e pecuária, a presença de pontos críticos afeta diretamente a economia. Estradas em más condições aumentam o tempo de viagem, encarecem o frete e elevam o risco de acidentes.
Segundo a CNT, a redução registrada em 2025 é um sinal positivo, mas reforça que a prioridade deve ser a manutenção contínua, a correção rápida dos problemas e a sinalização adequada, especialmente nas rodovias públicas. A entidade também defende a ampliação de concessões como uma forma de atrair mais investimentos e melhorar a segurança viária no país.

Comentários