Mendes nega interferência de deputado, mas defende investigação Governador atribuiu a repercussão do vídeo de Valmir Moretto a um “equívoco de comunicação”
O governador Mauro Mendes (União) afirmou, nesta sexta-feira (20), não ver indícios de interferência indevida em uma licitação de quase R$ 200 milhões vencida pela empresa do irmão do deputado estadual Valmir Moretto (Republicanos). Apesar disso, ele defendeu a apuração do caso pelo Ministério Público Estadual (MPE).

Primeiro, existe um grande equívoco na comunicação. Ele comemorava as obras que foram feitas e liberadas na região
“Tenho absoluta certeza que não tem interferência!”, disse Mendes.
A declaração ocorre após o MPE, por meio do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), solicitar a abertura de investigação criminal contra Moretto. O pedido foi encaminhado ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso, uma vez que o parlamentar possui foro por prerrogativa de função. Paralelamente, o órgão já conduz investigação na esfera cível.
Segundo o MPE, os elementos divulgados até o momento sugerem a possível existência de vínculo “direto ou indireto” entre o deputado e a empresa, além de indícios de eventual interferência indevida em procedimentos licitatórios.
Mendes negou qualquer irregularidade no processo e atribuiu a repercussão a um “equívoco de comunicação”.
“Primeiro, existe um grande equívoco na comunicação. Ele comemorava as obras que foram feitas e liberadas na região. São três lotes. Eu não sabia disso; tanto que, no vídeo, eu apareço claramente perguntando. Eu não participo nem acompanho licitação”, afirmou.
Yasmin Silva/MidiaNews

O deputado estadual Valmir Moretto negou vínculo com a empresa do irmão
“Eu conheço os números macro do Estado. Não acompanho o dia a dia. Nós licitamos, por mês, centenas de obras. No caso específico, foi uma obra que o irmão dele ganhou; a legislação, me parece, não veda isso”, completou.
“Tem que investigar”
Apesar de defender o processo licitatório, o governador destacou a necessidade de transparência e de esclarecimentos aos órgãos de controle.
“Nós temos o dever de dar explicações, seja para o Ministério Público ou qualquer outro órgão. Aquilo ali foi um equívoco que se criou, e o Ministério Público vai investigar. Eu fico feliz. Tem que investigar”, disse.
Ele também se posicionou favorável à criação de uma legislação mais rigorosa para evitar situações semelhantes no futuro, incluindo restrições à participação de políticos e de seus familiares em contratos com o poder público.
“Sou favorável à criação desse tipo de barreira, que valha para Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público, e que não permita qualquer vínculo com a administração pública”, afirmou.

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