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Economia
Terça - 24 de Março de 2026 às 16:54
Por: Marcos Salesse/Primeira Página

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Aprosoja

Mato Grosso encerrou uma das etapas mais decisivas do calendário agrícola com a colheita da soja praticamente concluída e o plantio do milho finalizado. Segundo relatório do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado na última sexta-feira (20), indicam que 99,06% da área de soja já foi colhida, enquanto a semeadura do milho atingiu 100% no estado.

O desempenho mantém o estado alinhado ao ritmo da safra anterior, com pequenas variações regionais, mas sem impacto significativo no calendário. Com projeção de 51,41 milhões de toneladas na temporada 2025/26, Mato Grosso caminha para colher a maior safra de soja já registrada.

CNA diz que jornada de trabalho reduzida vai trazer prejuízos à agriculturaCom a colheita da soja finalizada, o foco passa para a logística de escoamento diante do déficit na armazenagem. – Foto: Rodolfo Perdigão/Secom

Ao mesmo tempo, o Estado deve alcançar uma produção total de grãos estimada em 138 milhões de toneladas, somando soja, milho e outras culturas. Apesar do cenário positivo no campo, o avanço da safra expõe um problema estrutural antigo: a falta de capacidade de armazenagem.

De acordo com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), o Estado consegue estocar apenas cerca de 50% de toda a produção. Na prática, isso significa que parte significativa dos grãos precisa ser escoada rapidamente após a colheita, pressionando rodovias, armazéns e terminais logísticos.

O desafio se intensifica justamente no momento em que o milho começa a se desenvolver nas lavouras, podendo reduzir o tempo para organização das próximas etapas da cadeia.

Guerra pressiona produtores

A instabilidade geopolítica em importantes mercados compradores tem encarecido o transporte e dificultado o fluxo das exportações. O Irã, diretamente envolvido no conflito, é considerado um dos principais destinos do milho brasileiro, respondendo por 23% das exportações em 2025.

Outros países da região também recebem os grãos brasileiros, como Egito (18%), Turquia (7%), Arábia Saudita (4%) e Iraque (1%). Todos situados em regiões com algum nível de tensão ou conflito.

Nas lavouras, o cenário agora é de transição. Com a soja praticamente retirada do campo e o milho já plantado, produtores passam a focar no desenvolvimento da segunda safra e, paralelamente, na definição de estratégias para armazenagem e escoamento.





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