Menino faz campanha para arrumar dentes após sofrer bullying Segundo a mãe, o menino enfrenta humilhações na escola e precisa de apoio para custear manutenção do aparelho e outras etapas do tratamento odontológico.
Moradora de Nova Xavantina (MT), Thaiane Lima da Silva decidiu transformar a dor do filho em um pedido de ajuda. Mãe solo de três filhos, ela conta que enfrenta dificuldades para custear o tratamento odontológico de João Pedro Lima Próspero, de 10 anos, seu filho mais novo, que vem sofrendo bullying desde os 7 anos na escola por causa da arcada dentária.
Menino vítima de bullying pede ajuda para aparelho e tratamento. -Foto: Arquivo PessoalDe acordo com Thaiane, o problema começou a ser percebido quando João Pedro ainda tinha 4 anos, depois de quebrar um dente em uma queda. Durante o atendimento, uma dentista observou que o céu da boca da criança estava mais fundo do que o normal e orientou a família a procurar um otorrinolaringologista.
Mais tarde, a mãe descobriu que o quadro estava relacionado a um problema de adenoide, que fez com que o menino respirasse pela boca por muito tempo, afetando o desenvolvimento da arcada dentária.
“O problema dele não é só nos dentes, é nos ossos. Ele precisa de um aparelho ortopédico, que vai corrigir a posição da arcada”, explica a mãe.
Segundo ela, mesmo após a cirurgia de adenoide, João Pedro continuou precisando de acompanhamento odontológico especializado. O caso, conforme relatado pela mãe, é considerado complexo, porque não envolve apenas a posição dos dentes, mas também a estrutura óssea da boca.
“Só o aparelho é R$ 2.750, e ainda tem manutenção de R$ 170 por mês. Eu não tenho de onde tirar esse dinheiro. Hoje eu trabalho, mas é para pagar aluguel e colocar comida dentro de casa. A prioridade sempre vai ser isso”, afirma.
Além da dificuldade financeira, a família também lida com o sofrimento emocional de João Pedro. Thaiane diz que o filho já sofria com apelidos e piadas de outras crianças, situação que se agravou após a mudança de escola. Segundo ela, João Pedro passou a ser alvo constante de zombarias e, em um dos episódios, até um professor teria se referido a ele por apelido.
“Eu precisei mudar de casa, e João Pedro, de escola. No primeiro dia em que eu fui fazer a matrícula, eu já conversei com a secretária e falei que ele já sofre bullying, por isso estava com muito medo de ir para a escola e continuar sofrendo bullying; ele nem queria vir para a escola. Ele queria até parar de estudar para poder não não sofrer mais bullying”, contou emocionada.
Sem ter muito o que fazer, a mãe ensinou o filho a se defender. “Eu disse pra ele, fala assim ‘Ó, meu nome não é esse, meu nome é João Pedro e eu gostaria que você me chamasse pelo meu nome. Sempre orientei isso”, relatou.
Mas em contrapartida, o menino foi vítima de piadinhas. Mesmo com a mãe indo à escola e conversando com a diretoria e com o professor, nada era solucionado, até que ele foi alvo de piadinhas pelo próprio professor.
“Quando ele reagiu da forma como eu ensinei, ele foi retirado da sala, puxado pelo braço e, depois disso, ele foi à diretora, conversou, mas não solucionou nada. O que aconteceu foi que os alunos se sentiram no direito de também estar zoando ele. Ele começou a ser empurrado sempre que passava, era chutado nas aulas de educação física, faziam questão de machucar, derrubar e o excluir”, contou.
O caso foi levado à direção da escola, à Secretaria de Educação e ao Conselho Tutelar. Segundo a mãe, a situação envolvendo o professor foi resolvida, mas os episódios com alunos continuam acontecendo de forma recorrente.
Diante da situação, mãe e filho decidiram fazer uma rifa para arrecadar dinheiro e dar início ao tratamento. O vídeo gravado por João Pedro pedindo ajuda ganhou repercussão nas redes sociais e sensibilizou moradores da região.
Com as doações, a família conseguiu atingir o valor necessário para o aparelho, mas Thaiane explica que a ajuda ainda é necessária, já que novos custos podem surgir ao longo do processo. Entre eles, estão exames como tomografia, acompanhamento com fonoaudióloga e a própria manutenção mensal do aparelho.
“É uma situação desgastante para a mente dele”, afirma a mãe ao relatar o impacto psicológico provocado pelas humilhações. Segundo ela, João Pedro é uma criança estudiosa, educada e muito compreensiva, mas tem sentido o peso da exclusão dentro do ambiente escolar.
Mesmo com a meta inicial alcançada, a família segue pedindo apoio para que o tratamento não seja interrompido e possa ser feito no tempo certo, sem novos atrasos.
As doações podem ser realizadas por meio do Pix 66 8136-7892, em nome de Thaiane Lima da Silva, mãe do menino.

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