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Quarta - 13 de Maio de 2026 às 14:38
Por: Eduardo Gomes/Diário de Cuiabá

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Sorriso (a 420 km ao Norte de Cuiabá) é o maior produtor individual de soja do mundo
Sorriso (a 420 km ao Norte de Cuiabá) é o maior produtor individual de soja do mundo

Em Mato Grosso, 27 municípios celebram o aniversário de emancipação nesta quarta-feira, dia 13 de maio.

Desse grupo, 24 ganharam autonomia em 1986 - portanto, há 40 anos -e o crescimento populacional aponta uma grave distorção econômica e social entre eles.

Sorriso (420 km ao Norte) chegou a 124.665 habitantes e Reserva do Cabaçal (387 km Oeste) registra apenas 2.020 residentes.

Não há política pública para impulsionar o desenvolvimento das pequenas cidades, enquanto as grandes são contempladas com indústrias e com obras públicas de relevância.

Nessas localidades, vivem 480.387 dos 3.893.659 mato-grossenses, o que representa 12,33% da população estadual.

Esse grupo de municípios é formado por Sorriso, Marcelândia, Alto Taquari, Vila Rica, Terra Nova do Norte, Nova Olímpia, Cocalinho, Campinápolis, Porto Esperidião, Vera, Porto Alegre do Norte, Comodoro, Peixoto de Azevedo, Indiavaí, Guarantã do Norte, Novo Horizonte do Norte, Reserva do Cabaçal, Novo São Joaquim, Itaúba, Nova Canaã do Norte, Figueirópolis D’Oeste, Araguaiana, Paranaíta e Primavera do Leste.

A falta de política pública para os pequenos é gritante.

Nessa relação, 14 necessitam de cobertura social e isenção tributária: Reserva do Cabaçal, com 2.020 habitantes; Indiavaí (2.172), Figueirópolis D’Oeste (3.056), Novo Horizonte do Norte (3.267), Araguaiana (4.005), Itaúba (5.201), Cocalinho (6.495), Novo São Joaquim (7.239), Porto Esperidião (10.088), Vera (10.758), Terra Nova do Norte (10.591), Marcelândia (11.355), Nova Canaã do Norte (11.734) e Porto Alegre do Norte (12.649) precisam de incentivos, sob pena de permanecerem de pires nas mãos à espera de transferências constitucionais de recursos para cobrir seus gastos básicos.

População não é indicador social nem econômico, mas cidade com poucos moradores não atrai investidores e não tem receita para seu custeio.

Sorriso e Itaúba são divididas ao meio pela BR-163, e a distância entre elas é de 180 km.

A primeira ultrapassa 124 mil habitantes e a outra não chega a seis mil.

Vera dista 65 km de Sorriso, mas o fato de ela não se localizar à margem da BR-163 não pode ser o único fator para seu não crescimento.

Por um período limitado, o Governo do Estado precisa desonerar toda a carga tributária que incide sobre esses municípios pequenos e os demais na mesma faixa populacional em Mato Grosso.

Além disso, seria importante que houvesse apoio para a instalação de indústria em Porto Esperidião, ao invés de Cáceres; em Marcelândia, e não em Colíder; em Araguaiana, e não em Barra do Garças.

Fora desse bloco, a mesma prática deveria ser adotada em São José do Povo em relação a Rondonópolis; a São Pedro da Cipa, ao invés de Jaciara; em Poxoréu, e não em Primavera do Leste.

A reforma tributária, em fase de implantação nacional, não interferiria em nada, numa política estadual de estímulo aos pequenos municípios.

Porém, para o investidor, saber que terá alíquota zero e que tributos para consumo de produtos e serviços por ele e seus operários, também terão desoneração, seguramente, sua opção seria por um município sob incentivo, por maior e mais bela que seja a grande cidade na vizinhança.

Nesses pequenos municípios, há oferta de matéria-prima para a indústria de transformação e de verticalização da produção agropecuária.

Uma usina de porte médio na área do esmagamento de soja, instalada em Novo Horizonte do Norte, mudaria o perfil social do município.

Porém, se ela se instalar em Rondonópolis, Lucas do Rio Verde ou Sorriso, praticamente não mudará nada na economia local.

O turismo institucional pode contribuir para o desenvolvimento de alguns dos pequenos municípios.

Para tanto, é preciso visão ampliada e ver Mato Grosso como um todo, e não como uma área de bolsões.

Ao invés de se promover seminário sobre turismo em Cuiabá ou Cáceres, que o mesmo seja realizado em São Félix do Araguaia, que é um paraíso turístico banhado pelo rio Araguaia e tendo a Ilha do Bananal como pano de fundo.

Ou em Cocalinho, onde o Araguaia abusa do direito de ser belo.

Tanto São Félix quanto Cocalinho têm estrutura de hotelaria para eventos temáticos para público compatível ao que participa dessas promoções em Cuiabá.

Ao invés da Empaer realizar um dia de campo, em Sorriso ou Tangará da Serra, sobre cultivares de milho, que o faça em Porto Alegre do Norte ou Pedra Preta.

Uma discussão sobre o Parque Indígena do Xingu pode ser realizada em Marcelândia, que é um dos municípios formadores daquela área sob tutela da Funai.

A Metamat poderia oferecer cursos de lapidação e de artesanato mineral em Paranaíta, que foi um dos principais polos de extração de diamante do Brasil.

TAMBÉM – Nesta data, de igual modo, São Félix do Araguaia, Tangará da Serra e Pedra Preta celebram aniversário de emancipação..

Só que, ao invés de 40, comemoram 50 anos de sua autonomia.

Entre elas, também há fortes desníveis.

Tangará tem 114.603 habitantes e São Félix, 14.604.

A primeira cresce em ritmo chinês, enquanto a outra imita os índices haitianos.

São Félix, mais do que política de incentivo, precisa de acesso pavimentado para Cuiabá, e da construção da Rodovia Transbananal, para alcançar a Belém-Brasília, no Tocantins.

Os números de São Félix serão ainda menores quando houver a emancipação do distrito de Espigão do Leste – chamado de Baianos –, distante da cidade 220 km e situado numa área de grande produção agrícola

.Pedra Preta, com 18.946 habitantes, distante 22 km de Rondonópolis, permaneceu estagnada por muitos anos, mas nesta década apresenta índices animadores.

Maior município produtor de sementes em Mato Grosso, com grande rebanho bovino e uma planta frigorífica bovina, Pedra Preta se localiza à margem da BR-364.

AÇÃO – Algum tipo de medida precisa ser adotado em defesa dos pequenos municípios.

O mosaico social municipal mato-grossense apresenta desigualdades gritantes, mas que podem ser corrigidas ou minimizadas com medidas práticas, sem desequilibrar a receita orçamentária.





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