Mato Grosso teme perdas após restrição europeia à carne brasileira Frigoríficos e produtores cobram resposta rápida do governo para manter acesso ao mercado europeu.
A retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne e outros produtos de origem animal para a União Europeia acendeu um alerta no setor pecuário de Mato Grosso. O estado tem o maior rebanho bovino do país e forte participação nas vendas externas. A decisão preocupa produtores e frigoríficos, que temem prejuízos caso o país não consiga comprovar, dentro do prazo, os controles sanitários exigidos pelo bloco europeu.
“Isso sempre causa um impacto, porque você reduz a capacidade do mercado comprador”, afirmou o pecuarista Fábio Mello. Segundo ele, qualquer restrição preocupa, principalmente porque o Brasil ocupa posição de liderança na produção e exportação de carne.
Mato Grosso possui mais de 31,6 milhões de cabeças de gado e, no ano passado, respondeu por quase um quarto de toda a carne exportada pelo Brasil. Foram 978 mil toneladas enviadas para 92 países.
Embora a União Europeia não seja o principal destino da carne mato-grossense, o mercado europeu é considerado estratégico porque paga mais pelo produto. Segundo o setor, os países do bloco chegam a pagar até 45% a mais por tonelada em comparação a outros compradores.
União Europeia tira Brasil de lista de exportadores de carne. – Foto: Divulgação.A restrição foi motivada, segundo a União Europeia, pela falta de garantias documentais sobre o controle do uso de antimicrobianos. Esses medicamentos são usados no combate a micro-organismos, como bactérias, vírus, fungos e parasitas.
O diretor técnico da Acrimat, Francisco Manzi, afirma que o problema não está na presença dessas substâncias na carne brasileira, mas na comprovação do controle feito pelo país.
“Precisa ficar bem claro que não foi detectada a presença desses antimicrobianos na carne brasileira que chegou lá. O que a Europa está querendo é a questão documental, é como o Ministério controla para que esses antimicrobianos não estejam presentes”, explicou.
Frigorífero. – Foto: ReproduçãoO Brasil tem até o dia 13 de setembro para apresentar as garantias exigidas. Caso contrário, poderá ficar impedido de vender carne e outros produtos de origem animal aos países europeus.
O Ministério da Agricultura informou que já está tomando providências e reunindo informações para tentar reinserir o Brasil na lista de exportadores aptos. O processo deve ser separado por tipo de proteína, com análises específicas para carne bovina, aves, ovos e mel.
Para o setor, a retomada do mercado europeu depende de uma resposta rápida do governo brasileiro.
“Será extremamente importante darmos as respostas necessárias, tomarmos as medidas necessárias para a retomada deste mercado. Isso é extremamente importante para o país e para o setor”, afirmou Suene Mori, diretora de Relações Internacionais da CNA.
Cada setor produtivo terá impactos diferentes com a nova Reforma Tributária. (Foto: Famato)A Associação Brasileira de Proteína Animal também demonstrou confiança no diálogo entre o Brasil e a União Europeia para evitar a interrupção das exportações.
“A gente, na indústria, tem bastante confiança de que vamos conseguir demonstrar esses controles em tempo, antes do prazo, e assim não ter nenhuma interrupção no fluxo comercial”, disse Estevão Carvalho.
Enquanto isso, produtores, entidades e frigoríficos cobram agilidade. A expectativa é que o país consiga comprovar as garantias sanitárias antes do fim do prazo e evitar a perda de um mercado considerado importante pela valorização da carne brasileira .

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