Mendes e Janaina lideram para o Senado. Medeiros e Fávaro empatam Pesquisa do MT Dados revela cenários diversos e candidatos com potencial para reverter vantagem de favoritos
Levantamento do Instituto MT Dados volta a revelar "instabilidade" no cenário político-eleitoral de Mato Grosso. Desta vez, com o resultado de uma pesquisa para o Senado - que, neste ano, tem duas vagas em disputa por Estado (ou um total de 54 senadores).
Na quinta-feira (21), conforme do DIÁRIO publicou, pesquisa do instituto sobre intenções de voto para o Governo de Mato Grosso mostrou um cenário eleitoral ainda indefinido: com a disputa aberta, aumenta a chance de um 2º turno inédito no Estado.
As eleições para o Senado acontecem a cada quatro anos, mas, de forma alternada, pois o mandato do senador é de oito anos. Então, neste ano, serão duas vagas; em 2030, apenas uma vaga; e em 2034, novamente duas vagas, justamente relacionadas aos mandatos daqueles que serão eleitos neste ano.
Como se trata de duas vagas, neste ano, o eleitor (ou eleitora) vai votar seis vezes na urna eletrônica. O primeiro voto é para deputado federal; o segundo para deputado estadual, o terceiro para a primeira vaga para o Senado, o quarto voto para a segunda vaga, o quinto para governador do Estado e o sexto voto para presidente da República.
Um dia após a divulgação dos cenários de primeiro e segundo turnos para o Governo de Mato Grosso, agora é vez dos cenários para o Senado.
E fica muito clara uma certa influência da visita do (ainda) presidenciável da direita, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à feira agropecuária Norte Show, em Sinop (503 km ao Norte de Cuiabá), no dia 22 abril último.
Na ocasião, ele declarou voto para o senador Wellington Fagundes para governador e para o deputado federal José Medeiros ao Senado. E, numa reunião reservada, à noite, voltou a insistir em ter o ex-governador Mauro Mendes (União) na chapa encabeçada pelo PL em Mato Grosso.
A pré-campanha de WF e Medeiros foi potencializada pelas declarações de voto de Flávio e devem sofrer as consequências de uma possível queda por causa do definhamento da pré-candidatura presidencial.
Motivo: o escândalo surgido a partir do vazamento, pelo site Intercept Brasil, de áudios que revelam uma estreita ligação entre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, protagonista do maior escândalo financeiro e econômico da história recente do Brasil.
Na verdade, Flávio Bolsonaro foi flagrado fazendo o que sempre negou: uma relação da família Bolsonaro muito próxima do ex-banqueiro, atualmente preso em uma cela comum da Polícia Federal, em Brasília.
NÚMEROS DA PESQUISA - No levantamento do MT Dados para o Senado, em Mato Grosso, divulgado nesta semana, o ex-governador Mauro Mendes (União) aparece como o candidato mais bem posicionado, seguido por Janaina Riva (MDB), José Medeiros (PL), Carlos Fávaro (PSD), Pedro Taques (PSB), Antônio Galvan (Avante) e Edna Sampaio (PT).
Mauro aparece nos dois votos com 52% das intenções, sendo 39% no primeiro e 13% no segundo voto.
Janaina soma 32% de votos, sendo 15% no primeiro e 17% no segundo voto.
Medeiros soma 18% de intenção de votos totais, sendo 8% no primeiro e 10% no segundo votos. É seguido de perto pelo senador e ex-ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), com 12% de intenção de votos, 7% no primeiro e 5% no segundo votos.
Como a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, o deputado federal e o senador estão numericamente empatados.
A diferença entre Medeiros e Fávaro, no primeiro voto, é de 1% - ou seja, estão empatados. No segundo voto, quem aparece numericamente empatado é Pedro Taques, com 8% contra 10% de Medeiros.
Para analistas, esses números potencializam a pré-candidatura do ex-governador, que, aos poucos, está crescendo na intenção de votos. Ele tem-se posicionado como crítico feroz de Mauro Mendes. Além do fato ter ter sido bem avaliado nos quatro anos em que foi senador, ao contrário dos outros quatro em que foi governador de Mato Grosso.
Taques soma 12% de intenção de votos, sendo 4% no primeiro e 8% no segundo voto. Ou seja, o dobro das intenções e uma demonstração de que ele tende a ser uma das opções de segundo voto mais fortes, mesmo aparecendo atrás de Mauro e Janaina.
Depois, aparece Antônio Galvan (Avante), do setor do setor do agronegócio (foi presidente da Aprosoja Brasil) e foi bem votado em 2022 - recebeu 337.003 votos, ficando atrás de Wellington Fagundes, que está na metade do seu segundo mandato.
Na pesquisa MT Dados, Galvan tem 6% de intenções de voto (distante dos mais de 25% recebidos em 2022), sendo 2% no primeiro e 4% em segundo voto.
Como Taques, Galvan dobra na intenção entre o primeiro e o segundo voto.
Por último, a petista Edna Sampaio (PT) tem 4% de intenções de votos, sendo 2% no primeiro e 2% no segundo voto. Ex-vereadora e suplente de deputada estadual, ela é da corrente mais radical do partido de Lula, que está dividido entre o apoio a Carlos Fávaro ou uma candidatura própria.
Os eleitores entrevistados pelo MT Dados que disseram não saber ou estarem indecisos sobre votos somam 53%. Nulos e brancos e outros, 11%.
Quando separados em primeiro e segundo votos, se tem 19% de não sabe ou indecisos e 4% de brancos e nulos no primeiro voto e 34% de não sabe ou indecisos e 7% de brancos e nulos no segundo voto.
O MT Dados ouviu 1.500 eleitores, entre os dias 12 e 17 de maio, em 45 municípios, que representam 77 do eleitorado apto a votar em Mato Grosso, com um intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.
A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o nº MT – 03773/2026.
O VOTO - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já consolidou o número de eleitores aptos a votar em 2026: 158 milhões de cidadãos e cidadãs, dos quais 88,78% têm biometria coletada, o que oferece mais segurança ao pleito; 140 milhões de eleitores com cadastro biométrico e 9 milhões com registro biométrico recente. São 8 milhões de revisões cadastrais, 5 milhões de novos alistamentos, 3 milhões de transferência de domicílio e 125 mil novos jovens integrados ao sistema.
Vale registrar que o voto duas vezes no mesmo candidato cancela o segundo voto e só confirma o primeiro, pois, a cada um dos votos colocados na urna eletrônica, o eleitor inicia e encerra o processo de votação.
O eleitor vai votar primeiro para deputado federal; depois, para deputado estadual; terceiro para o primeiro senador; quarto para o segundo senador; quinto para o governador e sexto para o presidente da República.
É preciso aguardar as novas pesquisas e o desenrolar do processo eleitoral, pois o histórico de eleições passadas, como as de 2002, demonstram que nem sempre o favoritismo se confirma.
O fantasma da derrota do ex-governador Dante de Oliveira, após oito anos de mandato como governador de Mato Grosso e com alto índice de aprovação, não se demonstrou suficiente para lhe garantir a vitória. Ele foi derrotado naquele ano, quando foram eleitos Jonas Pinheiro (PFL) e Serys Slhessarenko (PT).

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