79% dos feminicidas já tinham passagens pela polícia em MT
Dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso, revelam que 79% dos autores dos 18 feminicídios registrados neste ano no estado tinham passagens criminais, parte deles com registros de violência doméstica. No rol de antecedentes dos agressores constam crimes como ameaça, lesão corporal, estupro, estupro de vulnerável, injúria, difamação, tráfico, entre outros. O levantamento aponta que 29% das vítimas denunciaram seus agressores e possuíam boletim de ocorrência vigente, ou seja, cinco mulheres. No entanto, apenas uma vítima tinha medida protetiva. Outro dado que chama a atenção é que 82% dos feminicídios ocorreram dentro da própria residência da vítima.
Entre os casos mais marcantes está o do criminoso Douglas Aparecido Ferreira, de 35 anos, que estuprou e matou a jovem Clara Vitória, de 23 anos, em Tangará da Serra. O feminicida já respondia por 15 ocorrências relacionadas a crimes de estupro, agressão e ameaça. Também em Tangará da Serra, José Carlos Gomes de Souza, de 20 anos, matou a estudante de Direito Valéria Araújo Corrêa, de 28 anos, dentro de uma quitinete, com 31 facadas. Ele tem antecedentes por roubo em Tangará da Serra e violência doméstica em Cáceres.
Marcos Pereira Soares, que estuprou e matou a própria irmã, Estefane Pereira Soares, de 17 anos, em Cuiabá, também acumulava oito passagens criminais por tráfico de drogas, corrupção de menores, direção perigosa, adulteração de sinal identificador de veículo, porte ilegal de arma de fogo, resistência, ameaça, lesão corporal e estupro de vulnerável. Em 2023, ele foi condenado a 19 anos de prisão em regime fechado por matar um vizinho a facadas e a mais de cinco anos por roubo majorado. Foi solto dias antes de matar a irmã, em razão de um erro do judiciário.
A professora Luciene Naves Correia, morta em fevereiro deste ano, era a única que tinha medida protetiva contra o ex-companheiro. Paulo Neves Bispo, de 63 anos, pulou o muro da residência da vítima e a matou. Ele fugiu do local armado e tinha a intenção de matar a filha dela. Paulo foi perseguido por um policial que estava de folga e morto no bairro Jardim Liberdade.
Outros dados
De janeiro a maio de 2026, os casos de feminicídio no estado aumentaram 17% em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo levantamento do Observatório Caliandra, de 1º de janeiro de 2025 a 19 de maio de 2025, 15 mulheres foram vítimas de feminicídio. Neste ano, o número chega a 18 vidas interrompidas em 134 dias. Os crimes ocorreram em 15 cidades, sendo que Cuiabá e Tangará da Serra apresentaram os maiores registros, com três e dois casos, respectivamente.

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