China reconhece Brasil livre da aftosa. Medida impacta em MT Decisão elimina antigas restrições sanitárias e fortalece exportações de carne. MT está entre os principais beneficiados
A decisão da China de reconhecer oficialmente todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação representa um avanço estratégico para o agronegócio nacional e traz impactos diretos para Mato Grosso.
O Estado que possui o maior rebanho bovino do Brasil e lidera as exportações brasileiras de carne bovina.
A medida foi anunciada pelas autoridades chinesas após a revogação de normas editadas entre 2002 e 2009, que restringiam o reconhecimento sanitário apenas a determinados estados e regiões brasileiras.
Com a nova determinação, a China passa a reconhecer o Brasil de forma unificada como área livre da doença, eliminando antigas distinções sanitárias entre unidades da federação.
O reconhecimento ocorre pouco mais de um ano após o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) solicitar formalmente ao Governo chinês o enquadramento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação.
O pedido foi feito depois que a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) concedeu ao país, em maio do ano passado, o certificado internacional que atesta a erradicação da enfermidade sem necessidade de imunização do rebanho.
Para Mato Grosso, a decisão tem peso especial.
O Estado abriga o maior rebanho bovino do país, com cerca de 35 milhões de cabeças, e ocupa posição de destaque nas exportações de carne bovina para mercados internacionais.
A China, por sua vez, é o principal destino da carne brasileira e um dos compradores mais relevantes da produção mato-grossense.
Especialistas do setor avaliam que o reconhecimento sanitário fortalece a imagem da pecuária brasileira perante o maior mercado consumidor do mundo e amplia a segurança jurídica para as exportações.
Além disso, reduz riscos de questionamentos sanitários que poderiam comprometer embarques futuros.
O processo de reconhecimento envolveu uma extensa troca de informações técnicas entre os dois países.
Em 2024, uma missão chinesa visitou o Brasil para avaliar os sistemas de vigilância sanitária e os programas de controle da febre aftosa.
Embora o resultado da inspeção tenha sido considerado positivo, Pequim solicitou informações complementares sobre os mecanismos de monitoramento e erradicação da doença.
No ano seguinte, o Governo brasileiro encaminhou novos relatórios detalhando os sistemas de vigilância epidemiológica e os procedimentos adotados para manter o país livre do vírus.
A decisão chinesa ocorre em um momento delicado para o comércio internacional da carne bovina. No final do ano passado, Pequim anunciou uma salvaguarda para as importações da proteína, criando limites anuais de compra por país entre 2026 e 2028.
Pelas novas regras, os exportadores que ultrapassarem a cota estabelecida estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%.
No caso brasileiro, o limite fixado corresponde a aproximadamente 65% do volume exportado ao mercado chinês em 2025.
Segundo estimativas da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a medida poderá provocar redução de cerca de 10% nas exportações brasileiras de carne bovina para o exterior ao longo do período de vigência das restrições.
Nesse contexto, o reconhecimento sanitário ganha ainda mais relevância.
A avaliação do setor é que a certificação fortalece a posição do Brasil nas negociações com os chineses e ajuda a preservar a competitividade da carne nacional diante das novas barreiras comerciais.
O anúncio também coincidiu com a visita do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Pequim para participar da quinta edição do Diálogo Estratégico Global Brasil-China.
Durante os encontros, além da pauta comercial envolvendo proteínas animais, foram discutidas questões relacionadas ao fornecimento de fertilizantes.
O tema interessa diretamente aos produtores mato-grossenses.
Como maior produtor agrícola do Brasil, Mato Grosso depende fortemente de fertilizantes importados para sustentar suas lavouras de soja, milho e algodão.
A China foi a principal origem desses insumos em 2025, tornando-se peça-chave para a segurança produtiva do campo brasileiro.
A preocupação com o abastecimento aumentou nos últimos meses em razão das incertezas geopolíticas envolvendo o Oriente Médio e seus reflexos sobre a oferta global de fertilizantes, fundamentais para a próxima safra.
Para o agronegócio de Mato Grosso, portanto, a decisão chinesa representa mais do que um reconhecimento sanitário.
Ela reforça a confiança internacional na pecuária brasileira, fortalece o principal mercado comprador da carne produzida no Estado e contribui para manter abertas as portas de um dos destinos mais estratégicos para as exportações nacionais.

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