Mesmo proibido, o cigarro eletrônico tem venda livre em Cuiabá Consumo virou “febre” entre adolescentes de 13 a 17 anos. Produto pode ser adquirido via internet e em lojas físicas
Os cigarros eletrônicos, ou vapes (dispositivos destinados à vaporização), apontados como causadores de doenças graves e mortes, são mais fáceis de ser comprados do que se imagina.
Por ser um produto relativamente novo, os especialistas afirmam que seu potencial de danos à saúde humana é muito maior do que se sabe.
E, principalmente, impossível de ser dimensionado a curto prazo.
Mas, mesmo de venda e consumo proibidos, podem ser adquiridos, por exemplo, via internet, em dezenas de sites especializados.
Também estão à disposição dos consumidores, independentemente da idade, em lojas físicas.
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Em Primavera do Leste, a Polícia Civil prendeu, em janeiro deste ano, mãe e filho que controlavam uma distribuidora de vapes
O DIÁRIO fez o teste e encontrou uma diversidade de tipos e marcas de vaporizadores na primeira, e pequena, distribuidora de bebidas em que esteve.Isso, na região do CPA, em Cuiabá.
O mesmo ocorreu nas visitas a distribuidoras, tabacarias e outros comércios, em outras regiões da capital.
Há, ainda, os vendedores individuais e distribuidores atacadistas, que atendem pedidos via telefone e fazem entrega domiciliar.
Os modelos, tecnologias e preços dos cigarros vaporizadores variam.
O preço, por exemplo, vai de R$ 40 a R$ 3 mil, dependendo da tecnologia, designer, componentes químicos e de quantas tragadas oferecem.
Um dos modelos descartáveis, com autonomia para até 8.000 puffs (tragadas), a reportagem encontrou por R$ 180.
Os vapes já se espalharam por todos os municípios mato-grossenses.
E algumas ações da Polícia já comprovaram que, assim como os cigarros tradicionais falsificados, o contrabando dos vapes se mistura a outras práticas criminosas.
Em Primavera do Leste (a 240 km de Cuiabá), a Polícia Civil prendeu, em janeiro deste ano, mãe e filho (48 e 28 anos, respectivamente).
Na casa da família, em um bairro da periferia, foram apreendidas cerca de 700 unidades de cigarros eletrônicos.
Comprovou-se que se tratava de uma distribuidora do produto e que a carga encontrada valia em torno de R$ 30 mil.
A mulher, que seria a dona da mercadoria, já era investigada e tinha mandado de prisão decretado por outros crimes.
Ela tinha envolvimento em lavagem de dinheiro, associação para o tráfico de drogas e organização criminosa.
CONSUMO ACEITÁVEL - Se a venda e compra são fáceis, livre se torna o consumo.
Os vapes são produtos aceitos e comuns nos ambientes de “lazer” de jovens e adolescentes.
Percebe-se que há um glamour, uma certa elegância magnética, em torno daquele que chega no ambiente fazendo uso do vape.
Especialmente se tiverem designer e funcionamento mais moderno e suscitar que custou mais.
Como consequência dessa aceitação social, Mato Grosso se tornou um dos estados com maior prevalência de consumo, de acordo com a última Pesquisa Nacional de Saúde do Escola r(PeNSE), feita em 2024 e divulgada neste ano.
Aqui, assim como nos demais estados da região Centro Oeste, 42% dos estudantes entrevistados responderam que já haviam fumado vapes.
Esse percentual significa que quase 5 em cada 10 alunos daqui, com idade entre 13 e 17 anos, já experimentaram.
A média nacional é 29,6%, o que corresponde a 3 em cada 10 estudantes brasileiros.
Na pesquisa anterior, de 2019, 16,8% dos adolescentes relataram já ter experimentado vapes.
Também chamou a atenção nessa pesquisa o fato de as meninas serem as que mais usam.
De acordo com os dados, 31,7% das meninas disseram que usavam, enquanto entre meninos a prevalência foi de 27,4%.

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